
Pelo menos 118 professores que ocupavam cargos administrativos ou trabalhavam em bibliotecas em escolas de Caxias do Sul e Farroupilha serão retirados dos postos para voltar a dar aula. A medida passará a vigorar em escolas da rede estadual a pedido da 4ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) diante da falta de professores em dezenas de escolas da região.
A ideia é reduzir contratações de novos professores diante da crise financeira do Estado. Mas em um contexto de dificuldades orçamentárias também nas escolas, as equipes diretivas não encaram esta mudança de forma positiva. Na manhã desta terça-feira (26), por exemplo, alunos e professores de dois colégios estaduais de Farroupilha protestaram contra a falta de professores e posicionaram-se contrários a este realocamento. Caso do Colégio Estadual Olga Ramos Brentano, que saiu em caminhada até a Escola Estadual Ensino Fundamental Jose Fanton.

— Nós temos 226 alunos neste momento, e solicitaram tirar a orientadora pedagógica de sala de aula. O cargo é bastante importante para o funcionamento da escola — conta a secretária da escola Olga Ramos Brentano, Fabiane da Rosa.
Segundo o colégio, há falta de 11 professores de diversas disciplinas, como geografia, educação física, literatura, sociologia, matemática, artes, filosofia e língua portuguesa. Situação semelhante da Escola Estadual de Ensino Médio Julio Mangoni, que fica na Linha Jansen. A falta de professores interfere na rotina de quase 60 alunos das séries iniciais do ensino fundamental.
— Os coordenadores, vice-diretor e eu também estou indo para a sala de aula. Estamos tentando suprir a demanda internamente, mas tem dias que não há o que fazer. Simplesmente os alunos não têm atendimento —afirma a diretora, Fernanda Piletti.
A 4ª CRE afirma que está em força-tarefa para tentar suprir demandas de cada escola. Solicitações de contratação de novos professores foram encaminhadas - a coordenadoria, porém, não adianta números.
— É da gestão de cada diretora realocar estes professores que podem voltar às salas de aula. Neste momento, é necessário este movimento porque a prioridade é que os alunos tenham aulas. Trabalhamos sábado e domingo em escalas para tentar resolver isto. Há professores que já se apresentam hoje (terça-feira) nas escolas — afirma a coordenadora-adjunta da 4ª CRE, Eunice Ciatto.

