
Ingressar no mercado de trabalho não é uma tarefa simples, ainda mais em tempos de retomada do crescimento da economia brasileira. E a situação pode ficar ainda mais difícil se o jovem, que está no último ano do Ensino Médio, ainda não tem certeza sobre qual profissão escolher.
As dúvidas variam de acordo com o perfil de cada adolescente. Eles se perguntam se o melhor é aquilo que o mercado de trabalho oferece, se a influência familiar deve ser levada em consideração na escolha ou se o bom mesmo é seguir pelo caminho que mais lhe agrada, quando o trabalho vira uma espécie de vocação. Em Caxias do Sul, o ano letivo para os alunos da rede estadual começou no dia 20 de fevereiro. Para muitos jovens, este é o último momento antes de fazer uma das escolhas mais importantes de suas vidas: o que vou ser?
O tema divide opiniões de estudantes do terceiro ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Henrique Emílio Meyer. Isadora Campagnolo, 17 anos, pensa em fazer algo que ajude as crianças carentes.
– Estou entre Assistência Social ou Pedagogia. Como já estive em um centro educativo, vi muitas crianças precisando de ajuda. Busco algo nesta área, apesar da minha mãe achar que sou muito sentimental – diz.
Quem também definiu o caminho que vai seguir é Larissa Costa, 19. A atividade atual influenciou a jovem na escolha.
– Trabalho em uma casa de armas e gostaria de fazer psicologia voltada para o Exército ou para a Polícia Federal – revela.
As muitas opções de cursos deixam Bruna Ferreira, 17, confusa.
– Ainda não defini, mas pretendo fazer Relações Internacionais ou Comércio Exterior. Vou ser a pioneira na família nessa área. Gosto de viajar e a remuneração é boa – lembra.
Guilherme Augusto da Costa, 17, quer ser fisiculturista como o tio Eduardo. Letícia Pain, 17, quer algo na área da saúde mas, por gostar de animais, talvez faça veterinária. Thamiris Nery e Amanda di Paula, ambas de 17 anos, ainda não sabem o que fazer.
Orientação
Conforme a psicanalista Suzymara Trintinaglia, que há 30 anos realiza orientação profissional para jovens de Caxias do Sul e região, existem muitas variantes para que a pessoa consiga fazer uma escolha autêntica.
– Existem tipos de pais e tipos de filhos. Há pais que querem que o filho dê continuidade à profissão da família. Vai ter o pai que acha que sabe o que é melhor para o filho ou que acha que sabe qual é a profissão do futuro. Um jovem vai olhar para o status, outro opta pelo que há de melhor no mercado de trabalho ou vai pela habilidade e pelas matérias que mais gostava na escola – avalia.
De acordo com Suzymara, alguns estudantes preferem realizar as fantasias dos pais ou projetos que não foram concretizados por eles. E ainda não têm maturidade suficiente para definir uma escolha tão importante.
– Ouvi muitas vezes o jovem dizendo que ia concluir o que a mãe não terminou. Há rapazes em que a adolescência termina aos 23 anos. Para estes, escolher aos 17 ou 18 anos, não é simples. Por isso, entre 40 e 45% dos jovens acabam trocando de curso – destaca.
Pesquisa
Uma pesquisa com o tema O perfil dos candidatos a vagas de estágio em 2018, realizada pela Companhia de Estágios|PPM Human Resources, revelou que 61,8% dos entrevistados escolheram a formação por gostar da profissão. Apenas 2,3% admitiram que escolheram a profissão por influência familiar. O estudo contou com a participação de 5.410 estudantes de todas as regiões do país. Os entrevistados responderam a um formulário com 42 questionamentos que abordaram o perfil pessoal e de escolaridade.

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