
Conversas via Whatsapp entre professoras e funcionárias de uma escola infantil de Vacaria apontam a quais maus-tratos crianças de quatro anos teriam sido submetidas. O caso é investigado pela Polícia Civil e estudado administrativamente pela Secretaria Municipal de Educação.
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– Meu filho se tornou agressivo, desconfiado. Não quer mais ninguém por perto e quando tem que ir para a escola, chora bastante – desabafa a mãe de uma criança supostamente agredida.
A situação se tornou pública depois que cópias das conversas foram entregues à direção da escola. No bate-papo, uma das professoras fala que usava fita crepe na boca e nas mãos das crianças, além de forçá-las a se alimentar. Além de ostentar ao grupo de amigas práticas para obrigar um menino a não colocar o dedo na boca, utilizando fita adesiva e amarrando as mãos dele, a professora ainda dá um nome bastante agressivo à turma: "Pré 1 quer dizer pancadas de primeira linha". Ela e uma assistente são investigadas. Segundo a secretária municipal de Educação de Vacaria, Luzmari Boeira de Camargo, a professora ainda teria ameaçado a assistente para que apagasse os diálogos e declarasse à direção que conversas tratavam-se apenas de uma brincadeira.

– Elas sempre ficam em duas para cuidar da turma infantil – avalia o delegado de Vacaria, Anderson Silveira de Lima.
Acompanhado de uma psicóloga, o delegado escutou pelo menos oito de 15 alunos da turma em depoimento nesta semana.
A situação estaria acontecendo desde o fim de fevereiro, quando as aulas reiniciaram. O inquérito deve ser concluído nesta semana, após a Polícia Civil escutar os depoimentos da professora e da assistente, previstos para quarta e quinta-feira. Ainda que o delegado diga que elas estão afastadas por medida cautelar, a secretaria municipal de Educação afirma que não recebeu autorização para dispensar oficialmente as profissionais. Por enquanto, elas não estão em sala de aula em função de atestado médico e férias.
A secretaria Luzmari Boeira de Camargo lamenta o caso e afirma que a comunidade escolar está bastante abalada, mas as aulas seguem com normalidade. Uma psicóloga acompanha a turma semanalmente desde que as investigações começaram.
– Temos fila de espera de cerca de 300 crianças nesta escolinha. É conhecida, tradicional. Como mãe, fico horrorizada, mas estamos colaborando para as investigações – afirma Luzmari.
A comunidade organiza um protesto no próximo domingo para pedir providências no caso. Os moradores sairão da Avenida Moreira Paz e irão até o prédio da prefeitura, às 14h. Pais e alunos participarão do ato.
– Nós não dormimos mais, e meu filho não quer mais ir para o colégio. Um erro desses é desumano, porque nós até superamos, mas e as crianças? Vão conseguir? – questiona a mãe de uma das supostas vítimas.
