
No Carnaval, Tagore estava no Psicodália, no interior de Santa Catarina. Daí se mandou pro aeroporto, baixou em Porto Alegre quarta e, nesta sexta, sobre a Serra para a oitava edição da Colmeia Sessions, às 22h, no Zero54 (Augusto Pestana, 154). O pernambucano gosta de Caxias. Tem uma irmandade por aqui.
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- Só tem irmão por aí, foi a cidade em que eu fui mais bem recebido, um lugar de publico fervoroso, com muitos fãs do meu som - diz ele, enquanto aguardava conexão de voo entre Curitiba e a capital Gaúcha.
Figura que se afirmou na cena nacional com Movido A Vapor, lançado em 2014, em seus shows Tagore mistura de regionalidade e experimentalismo. Tem sotaque, mas soa além. Reverbera uma vontade de expansão. É o que vem por aí com Pineal, o novo trabalho para o qual tem dedicado boa parte de seu tempo. O novo disco, que deve ser lançado ainda neste semestre, tem duas características bem fortes.
- Uma é que o método de gravação foi bem caseiro, feito por mim e o João Cavalcanti, com produção e mixagem bem artesanais, de uma forma que controlamos quase todo o processo. Outra é que a sonoridade do trabalho virá mais despida das características mais regionais, soando mais universal. Creio que isso seja um ponto positivo, o trabalho está ficando mais abrangente - explica.
A renovação não o afasta das raízes.
- Estamos reformulando o som, mas minha voz, meu sotaque, se mantém - afirma.
Vindo de um leque de referências que abrangiam Alceu Valença, Bob Dylan, Tom Zé e Raul Seixas, Tagore anuncia suas novas referências para o novo disco: Tame Impala, The Flaming Lips e Mutantes.
- É algo pop psicodélico, engenhoso. Teremos participação da moçada dos Boogarins, de quem nos aproximamos muito. Fomos para um espaço mais expandido, definitivo para algo que soa como uma revelação, com misturas inusitadas - diz.
Não à toa, o novo trabalho se chama Pineal. Trata-se do nome de uma glândula localizada no centro do cérebro, recheada de cristais e que é responsável pelas conexões com outros planos - astrais, mediúnicos.
- Isso faz muito sentido. Nossa cabeça é um campo de forças em expansão. Pineal é o nosso terceiro olho - argumenta Tagore.
Para o show desta sexta-feira, a banda que acompanha o artista estará desfalcada do baterista oficial. Por isso, eles não tem como adiantar o repertório do novo CD. Para ocupar a função, foi convocado Jonas Bustince Bender, da Slow Bricker - "um irmão!", frisa Tagore.
Por isso, o show terá como base o repertório de Movido a Vapor, com variações. As novidades contadas com entusiasmo só serão perceptíveis por ouvidos mais iniciados aos transes sonoros que ele protagoniza no palco.
- Estou bastante energizado para este novo momento - resume.
Palco Eclético - Desde que abriu, em novembro de 2015, o Zero54 é versátil.
Depois de Tagore, quinta que vem tem Ras Bernardo, ex--Cidade Negra, com a caxiense Por Natureza. Seguindo, vem Projeto CCOMA com o produtor Moishe, Cuscobayo, Trabalhos Especiais Manuais, Dezmeia Onzemeia, os DJs Piá, Nuts e Dubstrong e a festa Neon, de Gabriel Cevallos em parceria com Caio Britto, mais as noitadas do Funk por Fora e Pimenta Jazz Trio.
Agende-se
O Que: Show de Tagore + DJ Johnny
Quando: Sexta-feira, às 22h
Onde: Zero54 (Rua Augusto Pestana, 154, Largo da Estação)
Quanto: R$ 20 até a meia noite, R$ 25 depois



