
Um leitor pergunta: se Aquário é o signo das revoluções e do progresso, como pode a aquariana Regina Duarte defender ideias tão conservadoras? Caro leitor, precisamos entender melhor a dinâmica desse signo, para não pensar que todo aquariano é um esquerdista radical ou um irreverente iconoclasta. Há revoluções e revoluções. Para começar, lembro que todos temos os 12 signos em nosso mapa astrológico. Ou seja, não podemos esboçar a performance completa de uma pessoa somente pelo signo solar. Alguém pode ter o Sol em Aquário, e se identificar com propósitos sociais e mudanças, mas também pode ter vários planetas em signos de terra ou de água, e preferir um progresso que não altere muito a ordem das coisas.
O signo do aguadeiro cósmico é o penúltimo do zodíaco, envolto na complexidade de conectar-se com o coletivo e, ainda assim, definir uma identidade pessoal. É signo de ar, de meio de estação, dado a posições ideológicas firmes e até extremistas. Muitas vezes, questões íntimas ligadas à relação com autoridades vão repercutir nas ações sociais da pessoa – Aquário é oposto a Leão, signo de identidade e poder. Quantas batalhas mundanas ou necessidades de afirmação não brotam de dificuldades primordiais com figuras parentais?
Aquário também é complexo por possuir como regentes dois planetas antagônicos. O regente antigo, Saturno, fala de estruturas coletivas e função social, enquanto o regente moderno, Urano (astro descoberto em 1781), sintoniza a ruptura e a rebeldia. O tipo aquariano saturnino pode ser o servidor público, o cientista ou o político mais moderado, enquanto o tipo uraniano encarna a ousadia mais radical e as mudanças que tragam uma libertação do passado. A ênfase de um tipo ou de outro vai depender das posições desses astros no mapa do aquariano.
Pode parecer que Urano, com suas inovações e transgressões, pareça bem mais fascinante que o sempre sóbrio e prudente Saturno. Mas que ninguém se engane: há em Urano um radicalismo que o torna também paradoxal. Sua visão de um mundo perfeito, como solução para um modelo inadequado e antigo, não significa necessariamente a visão mais democrática, inclusiva e justa. Hitler, por exemplo, que era taurino mas tinha Urano enfatizado no mapa natal, defendia uma sociedade perfeita – e conhecemos bem o sinistro resultado disso.
Quanto a Regina Duarte, ela é uma aquariana com ascendente também em Aquário. No mapa dela, Urano está no setor da expressão criativa, e podemos confirmar isso em sua icônica faceta midiática – Urano rege a televisão! Mas, quando Regina nasceu, em 1947, Saturno estava conjunto a Plutão, em Leão, e a Lua também participava dessa conservadora união, tudo oposto ao Sol aquariano. Como ela mesma já repetiu, tem “muito medo” do novo.
Talvez tenha sido esse medo da ruptura o que a fez recusar inicialmente o papel principal em Malu Mulher (conforme livro do diretor Daniel Filho), que terminou consagrando-a como símbolo da emancipação feminina, em 1979. O seriado estreou sob um ascendente em Aquário, com Urano alçado ao topo do céu! Tinha tudo para ser libertário. No entanto, a atriz é mais que essa faceta. Afinal, ela nasceu com a mesma conjunção Saturno-Plutão de agora, que costuma evocar ondas reacionárias. Nada estranho, portanto, leitor, Regina Duarte estar sincronicamente afinada com o atual projeto de poder político. E é bom lembrar, por fim, que a lógica do signo mais imprevisível do zodíaco costuma afrontar o senso comum.



