Com 99% das urnas apuradas em Portugal, a Aliança Democrática (AD), coalizão de centro-direita formada por Partido Social Democrata (PSD), Partido Popular (CDS-PP) e Partido Popular Monárquico (PPM), ganhou por pequena margem do Partido Socialista (PS).
Resultados oficiais quase completos mostram que a AD teve 29,52% dos votos, podendo ter 79 deputados dos 230 assentos legislativos em Portugal, segundo números divulgados pelo Ministério do Interior. Já o Partido Socialista, que em 2022 havia alcançado a maioria absoluta, ficou em segundo lugar com 28,66% dos votos e 77 assentos.
Em terceiro lugar, aparece o Chega, de extrema direita, com 18,05% dos votos. O partido terá papel decisivo na formação do governo, passando de 12 deputados para 48. Liderado por André Ventura, a sigla mais que duplicou a sua votação, que teve 7,2% dos votos nas eleições de janeiro de 2022.
No fim da noite, ainda antes da conclusão da apuração, Pedro Nuno Santos, que assumiu a liderança do Partido Socialista, admitiu a derrota e confirmou que será oposição. Ele prometeu também mudanças internas para recuperar os votos do eleitores descontentes com a condução do partido nos últimos governos.
Abstenção
Outro destaque do pleito foi a redução da abstenção na votação, para 34% do eleitorado. Nas eleições de 2022, a taxa ficou em 42%. Em 2019, 45,5% dos eleitores optaram por não ir às urnas no país —a maior taxa já registrada.
Com quase 99% dos votos apurados, os votos brancos representavam 1,43% do total de votos, e os nulos, cerca de 1,1%.
Disputa acirrada
O Partido Social Democrata e o Partido Socialista têm se alternado no poder por décadas e, nestas eleições, enfrentaram o desafio de conter o crescimento de um partido de extrema-direita.
O líder do PSD, Luís Montenegro, descartou durante a campanha a possibilidade de se unir ao Chega.
— Parece inevitável que a AD ganhou as eleições e que os socialistas perderam — disse Montenegro a seus apoiantes, em Lisboa.
Contudo, os resultados não permitem à AD formar uma maioria absoluta de pelo menos 116 legisladores, nem mesmo em aliança com um pequeno partido liberal que conquistou oito assentos.
O líder do Chega, André Ventura, afirmou estar disposto a abandonar algumas das propostas mais controversas de seu partido, como a castração química para agressores sexuais e a introdução de penas de prisão perpétua, se isso permitir a inclusão de seu partido em uma possível coalizão governamental com outros partidos de centro-direita. No entanto, sua insistência na soberania nacional em vez de uma integração mais próxima à União Europeia e seu plano de conceder aos policiais o direito de fazer greve são outras questões que podem frustrar suas ambições de entrar em uma coalizão de governo.
O Chega baseou sua campanha, principalmente, em uma plataforma anticorrupção. Escândalos de corrupção provocaram a antecipação das eleições depois que o ex-líder socialista e primeiro-ministro António Costa renunciou em novembro, após oito anos como primeiro-ministro, em meio a uma investigação de corrupção envolvendo seu chefe de gabinete. Costa não foi acusado de nenhum crime.
A frustração pública com a política atual já estava borbulhando antes dos protestos contra a corrupção. Baixos salários e alto custo de vida, agravados no ano passado por aumento na inflação e nas taxas de juros, juntamente com uma crise habitacional e falhas na saúde pública, contribuíram para o descontentamento.
"Portugueses querem um governo do Chega e da AD", diz Ventura
Segundo informações da empresa pública portuguesa RTP, o líder do Chega afirmou que as projeções indicam que os portugueses querem um governo de direita no país e que as eleições foram marcadas pelo fim do bipartidarismo em Portugal.
Ventura, que durante a campanha chegou a afirmar que iria proibir a entrada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no país, informou que está disponível para construir um novo governo, mas sem confirmar a possibilidade de uma aliança com a AD.
— Temos de começar a trabalhar para que haja um governo estável em Portugal e os portugueses disseram claramente que querem um governo de dois partidos: do Chega e da AD.





