
Quatro servidores do Ministério da Agricultura, com atuação no Rio Grande do Sul, suspeitos de envolvimento em fraude na fiscalização da indústria do leite, não fazem mais parte do quadro federal. Três deles foram demitidos, e um teve a aposentadoria cassada.
As portarias assinadas pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi, foram publicadas no Diário Oficial da União em 16 de fevereiro. Contudo, até então não tinham sido divulgadas.
O esquema foi descoberto durante a Operação Pasteur, da Polícia Federal, ocorrida em 14 de dezembro de 2014. A ação dos policiais federais foi um desdobramento da Operação Leite Compen$ado, do Ministério Público Estadual, que teve a primeira fase deflagrada em 2013 – onde promotores descobriram um esquema de adulteração de leite e derivados, entre outras irregularidades.
Os agentes de inspeção de produtos de origem animal Jorge Luiz Pinto Soares, José Altamir Leite de Azevedo e Paulo Jaime Petry foram demitidos. Já Flávio Rodrigues da Silva teve a aposentadoria cassada.
Os quatro já haviam sido afastados da atividade ligada ao setor leiteiro e estavam trabalhando num frigorífico de abate de carnes, sob supervisão direta de um auditor.
O Processo Administrativo Disciplinar (PAD) concluiu que os servidores cometeram irregularidades passíveis de demissão. Um outro servidor, que não teve o nome divulgado, ainda responde a um PAD que tramita em sigilo.
Os salários dos trabalhadores, segundo consta no Portal Transparência do governo federal, era de R$ 10,4 mil.
Segundo as investigações, alguns deles cobravam propina há 20 anos para liberar leite e derivados com menos burocracia para indústrias do Vale do Taquari. Os valores variavam de R$ 1,8 mil a R$ 2,5 mil por liberação "desburocratizada".
“Essas investigações contaram com todo o apoio do Ministério da Agricultura. De lá para cá, intensificamos o controle na fiscalização e estamos sempre em contato com o Ministério Público”, afirma o superintendente do Ministério da Agricultura no Rio Grande do Sul, Roberto Schroeder.
A Rádio Gaúcha não encontrou os servidores demitidos. Os processos criminais contra os envolvidos no esquema tramitam na Justiça Federal em Lajeado e Novo Hamburgo.

