Cerca de 120 milhões de meninas no mundo, quase uma em cada dez, foi estuprada ou vítima de abusos sexuais antes de completar 20 anos, revelou um estudo sobre a violência contra crianças realizado pela Unicef, agência de defesa dos direitos da infância da Organização das Nações Unidas (ONU). Este é o maior estudo realizado até agora sobre violência infantil, e inclui dados de 190 países.
A perseguição - outro abuso registrado pelo relatório - regularmente afeta mais de uma em cada três crianças escolarizadas de entre 13 e 15 anos de todo o mundo. Em relação à violência para impor a disciplina, o estudo descobriu que cerca de 17% dos jovens de 58 países eram alvos de duras formas de castigo físico, entre elas tapas na cabeça, na orelha ou no rosto, ou espancamentos constantes.
O levantamento apontou ainda que um quinto das vítimas de homicídio são crianças ou adolescentes menores de 20 anos. Na América Latina, o assassinato é a principal causa de morte de jovens de 10 a 19 anos. No Brasil, 11 mil crianças e adolescentes foram vítimas de homicídio em 2012.
A violência sexual contra crianças tem consequências a longo prazo, adverte o estudo, pois pode criar obstáculos ao desenvolvimento físico, social e psicológico da vítima. Também pode gerar comportamentos autodestrutivos, como a bulimia e a anorexia. Entre as consequências psicológicas estão a depressão, ataques de pânico, ansiedade e pesadelos.
- As crianças que sofreram abusos são mais propensas a cometer suicídio. Quanto mais grave a violência, maior o risco - ressalta o texto.
A Unicef recomenda seis estratégias para evitar a violência contra as crianças, como "apoiar os pais e fornecer às crianças habilidades para a vida; mudar atitudes; reforçar os sistemas e serviços judiciais, criminais e sociais; e gerar exemplos e consciência sobre a violência e seus custos humanos e socioeconômicos, com o objetivo de mudar atitudes e normas".
- Estes são fatos incômodos que nenhum governo ou pai quer ver, mas a não ser que enfrentemos a realidade que cada estatística irritante representa (...) nunca mudaremos a mentalidade de que a violência contra as crianças é normal e permitida. Não é nenhuma das duas coisas - disse o diretor-executivo da Unicef, Anthony Lake.
*AFP


