
Fernandão perdeu a paciência com as suas estrelas. Após a derrota por 2 a 0 para o Sport no primeiro tempo, em pleno Beira-Rio, com desempenho considerado "vergonhoso" pelo capitão de 2006, o empate em 2 a 2 não foi suficiente para aplacar a sua irritação. Após o jogo, escudando-se na expressão "zona de conforto", treinador elogiou alguns jogadores pelo esforço, evitou críticas individuais, mas, em determinado momento, omitiu os nomes de D'Alessandro, de Leandro Damião e de Diego Forlán.
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Utilizando a sua recente experiência de diretor de futebol, o treinador travestiu-se outra vez de dirigente e bateu forte na falta de empenho da equipe em determinados momentos - como os primeiros 45 minutos deste domingo. Não será surpresa se Fernandão acabar deixando o clube nesta semana, perdendo a força no vestiário, caso não tenha suporte da direção.
A seguir, as principais frases da entrevista de Fernandão:
"Estamos achando que as coisas vão cair do céu e não é assim. Acho que caímos em uma zona de conforto muito grande aqui no Inter. E ela tem de acabar. Já tínhamos diagnosticado há tempo isso. Hoje foi uma resposta clara."
"O torcedor vaiou e foi merecido. Foi vergonhoso. Queria estar em qualquer lugar da Terra, menos no lugar em que eu estava."
"Esse, para mim, é o grande problema: não se sabe como o time vai entrar dentro de campo. Não mudei nada taticamente. Os grandes têm de assumir a responsabilidade e quem está assumindo é o Fred. Quando se cumpre a função dentro de campo, as coisas funcionam. Não peço para que se matem em campo. Mas não posso ficar com três ou quatro jogadores parados em campo. Aqui no Brasil o nível é difícil. Ou a mentalidade muda ou vamos mudar as peças daqui para diante."
"No primeiro tempo achamos que ia ganhar a hora que quisesse. Queria dar caneta, chapeuzinho. Não existe jogo fácil. O problema é a inconstância mental do time. Mentalmente não estamos preparados para nada no campeonato. É difícil chegar à beira do campo e rezar para saber que peça vai entrar em campo."
"Estou dando minha declaração para que os jogadores ouçam mesmo. Ou eles aceitam que foi vergonhoso no primeiro tempo ou temos de sair daqui e parar."
"Sei que é o meu que está na reta. Você tenta ser amigo, conversar, levar numa boa. Existem o perfil do treinador amigo, mas não sei se o perfil que o Inter está precisando é o do treinador amigo. Sou muito amigo, mas rezar a cada jogo para saber o que vai acontecer é complicado. E hoje a zona de conforto é muito grande no Inter.
"Das minhas convicções não fujo. Fiquei envergonhado no primeiro tempo. Ou se muda a mentalidade ou saem todos da zona de conforto, ou não vamos brigar por nada no campeonato."
"Faltam 13 jogos para terminar. Independente de que seja eu ou outro, chegou o momento de escolher a dedo quem quer fazer os 13 jogos. Estou falando isso para se indignar. Tomamos totó do Sport dentro de casa. É um time que tem uma qualidade imensa, mas hoje técnica não ganha mais nada. Nos anos 1970, ganhava. Quem tem técnica, mas não tem físico e tático, não ganha nada hoje. Tem de ter mentalidade, que sobra, que transborda, no Fred, no Índio, no Guiñazu, no Moledo".
"Ganhamos tudo em 2006 e, depois, passamos por uma p... vergonha. Por quê? Estávamos em uma zona de conforto".
"Se eu tiver que ser inimigo de todos, mas fazer o time jogar, vou ser inimigo de todos".
"Ou todo mundo acorda para a realidade da vida, ou não vamos brigar por nada no campeonato".
"Chegou o limite de todos, chegou o meu limite também. Quando você leva um tapa na cara como eu levei hoje, você chega ao seu limite".

