
— Vamos começar nossa viagem — alertou, em voz altiva, o sargento Cristiano Bernardes.
— Eba! — respondeu, aos gritos, um grupo de aproximadamente 30 crianças.
Nesta terça-feira (16), elas embarcaram no barco Cisne Branco, em Porto Alegre, para viverem uma manhã como e com os profissionais da Marinha, aprendendo sobre a história da instituição e acerca das atividades principais exercidas pelos profissionais dos mares. A iniciativa, que proporcionou conhecimento e um passeio pelo Guaíba, chama-se Marinheiro por um Dia e foi lançada nesta manhã.
A ação é gratuita e voltada para estudantes da rede pública que tenham entre seis e 14 anos, escoteiros do mar e grupos interessados em conhecer as atividades desenvolvidas pela Marinha – acontecerá quinzenalmente, sempre às terças-feiras pela manhã. O projeto é uma parceria entre a Capitania Fluvial da Capital, o Serviço Social do Comércio do Rio Grande do Sul (Sesc/RS), Sociedade Amigos da Marinha de Porto Alegre (Soamar Poa) e o barco Cisne Branco.
Da união dessas quatro pontas, formou-se o elo que permitiu que crianças assistidas pelas unidades Navegantes e Protásio Alves do Sesc aprendessem enquanto navegavam pelas águas do Guaíba. Neta de marinheiro, a estudante do 4º ano do Ensino Fundamental da rede pública e moradora do bairro Jardim Itu-Sabará, na zona norte de Porto Alegre, Maria Eduarda Costa, nove anos, nunca tinha visto o Guaíba tão de perto, nem entrado em um barco.
— Nunca entrei em um desses. Estou achando muito legal, muito chique estes bancos. Agora, vou aprender mais sobre a profissão do meu avô — contou a garota, que demonstrou sabedoria quando citou os municípios que ficam perto de Rio Grande e a atividade econômica daquela região.
— Fica bem perto de Pelotas e eles vendem bastante camarão lá — respondeu a pequena ao sargento responsável pelo passeio, quando ele perguntou quem conhecia a cidade.
A atividade no barco – que tem três horas de duração – acontece há um ano em Rio Grande e promoveu a aproximação entre a sociedade e a Marinha, segundo o capitão dos portos de Porto Alegre, Rafael Santos.
— Por meio das atividades desenvolvidas durante o passeio, como interpretação de cartas náuticas, realização de nós e divulgação dos feitos dos heróis gaúchos da Marinha, nos aproximamos das crianças de lá. Acredito que teremos esse mesmo resultado aqui – ressaltou Santos.
Velejador há mais de 60 anos, o presidente do conselho deliberativo da Soamar Poa, Paulo Renato Paradeda, 80 anos, vai além e diz que esta é uma oportunidade de os pequenos conhecerem as belezas da cidade.
— Porto Alegre está de costas para o Guaíba. Com essa atividade, eles têm a chance de conhecer parte do nosso Delta do Jacuí.
Morador do bairro Bom Jesus, zona leste da Capital, o inquieto José Prestes, oito anos, ficou surpreso com tudo o que estava vivendo e vendo.
— Quando falaram cisne, pensei que iria naqueles pedalinhos da Redenção, mas este aqui está sendo muito melhor — disse o garoto, que logo saiu correndo para ficar junto à janela da embarcação e admirar os detalhes das casas ribeirinhas.
Além de ensinamentos sobre a historiografia e as tradições marinheiras, a turma contou com um café da manhã reforçado oferecido pelo Sesc, pôde visitar o deque panorâmico, tirou selfie no maior estilo "pequenos capitães e capitãs do mar" – segurando o timão do navio – e conferiram a danceteria do barco, que fica na parta abaixo do convés. Enquanto parte dos estudantes já se alinhava para subir as escadas da embarcação para ir embora, Giovana Tomelim, oito anos, moradora do bairro Navegantes, olhava as boias de sinalização que ondulavam nas águas.
— Quero voltar aqui, fazer este passeio de novo. Na próxima vez, quero vir com minha mãe e minha irmã — disse a menina.
Para participar
Instituições interessadas em fazer o passeio devem fazer a inscrição da sua entidade de ensino pelo telefone (51) 3226-1711 ou pelo email cfpa.secom@marinha.mil.br



