
O secretário municipal de Educação, Adriano Naves de Brito, anunciou, na tarde desta terça-feira (21), mudanças na rede de ensino de Porto Alegre. Entre elas está o aumento no tempo do professor em sala de aula e o fim do dia de compensação dos educadores.
Até então, as aulas começavam às 7h30 e eram compostas por cinco períodos de 50 minutos. Dentro desta jornada estavam ainda computadas o café da manhã e o almoço servidos aos alunos. A partir agora, as aulas serão das 8h ao meio-dia, com cinco períodos de 45 minutos e um recreio de 15 minutos. As refeições terão que ser antes e depois deste horário, com o apoio dos demais servidores das escolas e não diretamente dos professores. Com as mudanças, um professor com carga horária de 20 horas semanais passará a ficar 12h45 em sala de aula na semana, 15 minutos a mais do que o praticado hoje. O restante é destinado a planejamentos e reuniões.
Segundo a prefeitura, as alterações não precisam passar pela Câmara de Vereadores e devem entrar em vigor já no fim do recesso, no dia 6 de março. A portaria com os itens deve ser publicada nesta quarta-feira (22).
De acordo com o Executivo, a jornada atual de trabalho dos professores faz com que os alunos sejam dispensados dois períodos por semana. Isso porque os educadores têm reuniões semanais nas escolas. "Queremos que os alunos fiquem na escola neste momento, por isso determinamos que os acadêmicos não poderão ser liberados. As escolas precisarão promover atividades, mesmo que isso acarrete em um rodízio dos professores", detalha o secretário.
Além disso, com a mudança na duração dos períodos, os professores não terão direito ao dia de compensação. Atualmente, como os educadores trabalham 4h30 por dia, cada meia hora a mais é compensada em um dia da semana. "Como eles irão trabalhar 4h por dia, essa prorrogativa perde validade. E eles terão que cumprir os cinco dias", diz Brito. Nestas folgas, os estudantes ficavam sob a responsabilidade de professores “volantes”.
Para o secretário de Educação da Capital, as propostas impactam em uma reorganização da rotina escolar. "Nós precisamos ter um melhor tempo do aluno na escola e um melhor tempo do professor com o aluno", defende.
As mudanças foram anunciadas em reunião com diretores e vice-diretores das escolas municipais, no Teatro Renascença. O prefeito Nelson Marchezan abriu o encontro, mas não ficou até o final.
Os professores reclamam das mudanças, principalmente das alterações na escala de trabalho. Para Angelo Barbosa, diretor do Colégio Sant' Hilaire, a determinação foi antidemocrática e não trará benefícios no ensino.
"Nós fomos pegos de surpresa. O aluno vai perder aula", avalia o educador.


