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Luva que traduz Libras criada por alunos da Unipampa ganha prêmio internacional

Evento que premiou universitários gaúchos ocorreu em Florença, na Itália

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Os vencedores: Felipe Antunes Quirino (esquerda), Marcelo Romanssini (ao centro) e o professor Alessandro Girardi (direita)

Uma luva capaz de captar o gestual de cada dedo e, com isso, reproduzir no computador o movimento perfeito da mão e traduzir a linguagem de Libras de forma rápida para quem não conhece a linguagem. Esse projeto levou equipe da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) a conquistar, na terça-feira passada (29), o prêmio internacional na área de circuitos e sistemas. 

Entre os dias 27 e 30 de maio, os estudantes Felipe Antunes Quirino, 19 anos, e Marcelo Romanssini, 26 anos, representaram o Estado no International Symposium on Circuits and Systems 2018 (Iscas), em Florença, Itália. O evento foi promovido pela Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE), uma das principais organizações da área.

Orientados pelo professor Alessandro Girardi, os universitários desenvolveram a luva com o objetivo de aumentar a interatividade entre ser humano e máquina, principalmente em indivíduos com alguma deficiência visual, auditiva ou de fala.

O projeto, iniciado em agosto do ano passado, já havia vencido duas etapas da competição antes de chegar a grande final.

— Nas etapas anteriores, pegamos os feedbacks dos avaliadores. Com isso, melhoramos cada vez mais o projeto. Principalmente para os estudantes, foi uma oportunidade única: disputar uma competição mundial e sair vitoriosos - ressaltou Girardi.

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Gaúchos concorreram contra universidades de Taiwan, Chipre e contra o Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio de Janeiro

Além dos gaúchos, o Brasil também estava representado pelos estudantes do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ). Outras duas universidades estavam na disputa: uma de Taiwan, atual campeã e favorita a levar o prêmio, e uma do Chipre, representante do continente europeu.

— No início, tivemos um friozinho na barriga, mas estávamos preparados. Ficamos duas semanas só ensaiando o que falaríamos na apresentação — afirma Felipe, que atualmente está cursando o 3° semestre de Ciências da Computação.

A equipe também contou com dois estudantes do Ensino Médio do Colégio Divino Coração, de Alegrete, Enzo Weber e Rafael Dorneles. Esses, porém, não puderam comparecer ao evento.

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Felipe e Marcelo apresentando o projeto, iniciado em agosto do ano passado

Agora, o grupo trabalha com a expectativa de como aplicar o vitorioso projeto. Segundo Girardi, eles irão focar em áreas como, por exemplo, a fisioterapia, e na alfabetização de libras para crianças e jovens.

— A luva detectaria o movimento corporal da pessoa e auxiliaria os profissionais, analisando se está correto ou não — explica o professor.

Tanto Felipe quanto Marcelo possuem boas lembranças do trabalho e do evento que, segundo os estudantes, será uma porta de entrada para a vida profissional.

— Isso abre novas portas, principalmente, para o nosso reconhecimento. Quem sabe uma vaga em alguma pós-graduação? — sonha Felipe.

— Ver o teu trabalho, o resultado, é uma sensação inexplicável. O nosso maior prêmio foi ter participado de um evento como esse — conta Marcelo, aluno do 6° semestre de Engenharia Elétrica.

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Universitários definiram a conquista como uma "experiência única"

O Iscas 2018 é um dos principais e mais conhecidos eventos no ramo. Os gaúchos foram avaliados por uma banca formada por cincos cientistas renomados, além de exporem o seu projeto para outros estudiosos e grandes empresas do setor.

O Projeto

 A luva é composta por seis sensores (cinco colocados nas pontas dos dedos e um na parte superior da mão), responsáveis por captar o gestual de cada dedo. Com isso, é possível reproduzir no computador o movimento perfeito da mão.

Os sinais são enviados para um microcontrolador, colocado na parte superior na luva, que emite os códigos para smartphone ou computador via bluetooth. O computador é programado com o alfabeto em libras, que permite transcrever o sinal feito pela mão, em uma letra. O conjunto dos sinais forma uma palavra, auxiliando na comunicação.

Todo o dispositivo foi pensando em um grupo de pesquisa da Universidade, o Grupo de Arquitetura de Computadores e Microeletrônica (Gama).

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