
Fossem outros tempos, você teria de recorrer apenas a sua memória (e torcer para ela não traí-lo) para relembrar a abertura da sua novela preferida da infância ou aquele gol histórico do seu time em algum campeonato da década de 1980. Faz 10 anos, porém, que um verdadeiro saco sem fundo virtual vem sendo abastecido com vídeos dos mais variados temas e épocas. Conecte-se à internet, acesse um tal de YouTube e digite algumas palavrinhas no campo de busca. Vai ser difícil não achar o que procura: a plataforma online - absoluto sucesso desde 2005, quando foi criada - recebe 300 novas horas de vídeo a cada minuto.
O site que hoje está nos "Favoritos" de muitos internautas começou simples: era só um lugar onde qualquer um podia colocar seu vídeo sem intermediários, num tempo em que anexá-los num e-mail era um processo lento. Do outro lado, quem recebia não raramente levava 10 minutos para baixar um vídeo de poucos segundos. Com o YouTube, é só dar play.
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Tanta facilidade rendeu frutos aos idealizadores. Quando, em 14 de fevereiro de 2005, Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim ativaram o domínio YouTube.com (embora o primeiro vídeo - 19 segundos de um passeio no zoológico - só tenha sido publicado no dia 23 de abril), eles não podiam imaginar que no final do ano seguinte estariam sendo comprados pelo Google por US$ 1,65 bilhão e teriam sua criação na capa da revista americana Time.
A comunicação em vídeo, antes restrita a poucos grupos de comunicação, emissoras de TV e estúdios de cinema, com o YouTube ganhou um caráter mais democrático. Artistas se projetaram, a onda dos videoclipes foi retomada (o fim havia sido praticamente decretado com a decadência da MTV) e o que antes era uma plataforma de vídeos domésticos virou uma ferramenta poderosa de comunicação - na qual a interação entre os usuários também está presente, através de curtidas e comentários.
- O YouTube foi essencial para a disseminação da comunicação digital, criando uma cultura de assistir a vídeos online. Não tenho dúvidas de que é graças ao YouTube que hoje temos o Netflix, que vem reduzindo o número de assinantes da TV a cabo _ afirma a professora Adriana Amaral, pesquisadora da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e coordenadora da especialização em Cultura Digital.
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Mas YouTube, ao contrário do Netflix, não é apenas entretenimento. Qualquer pessoa que tenha conta pode postar vídeos e se tornar um multiplicador de informação - muitas vezes o lado B da veiculada pelas mídias tradicionais, como exemplifica o doutor em Comunicação Social com ênfase em vídeos online André Pase, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS):
- Nas manifestações de junho de 2013 muita gente postou vídeos dos protestos que nunca seriam divulgados na televisão aberta. O YouTube abriu espaço para as pessoas questionarem o mundo e, ao mesmo tempo, exporem suas visões.
Pode quase tudo. Porém, as denúncias de conteúdos pornográficos, apologia à intolerância, incentivo a atos ilegais perigosos (não poste um vídeo ensinando como montar uma bomba) e violação a direitos autorais são analisadas 24 horas por dia, segundo as diretrizes da comunidade. Os vídeos que violam essas diretrizes são despublicados.
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Um dos principais impactos do site no cotidiano das pessoas, segundo Pase, é o fato de o internauta poder escolher a sua própria programação:
- As pessoas podem assistir ao que quiserem, na hora em que quiserem. Uma grande vantagem do YouTube é possibilitar esta autonomia.
É um modelo que vem dando certo, conforme pesquisas de audiência. Ano passado, por exemplo, a consultoria canadense Sandvine comprovou que, juntos, Netflix e YouTube são responsáveis por metade do tráfego de internet na América do Norte.
YouTube em números
- Mais de um bilhão de usuários
- Ano a ano, cresce em até 50% o número de horas por mês que as pessoas assistem a vídeos
- Até 60% das visualizações de um criador de conteúdo vêm fora de seu país de origem
- Está localizado em 75 países e em 61 idiomas
- Metade das visualizações vem de dispositivos móveis


