
Muitas das pessoas que encararam filas para apostar na Mega Sena acumulada acalentam sonhos modestos para si mesmos, em caso de receber a bolada. Pensam mais em ajudar outras pessoas e instituições.
O autônomo Carlos Alberto Dutra, 57 anos, é um caso exemplar. Todos os sábados, ele se dedica a um projeto esportivo voltado a crianças carentes do Parque dos Maias, na zona norte de Porto Alegre. Por meio do futebol, nos 12 anos de existência do trabalho, tirou muitos meninos da rua e contribuiu para a profissionalização de alguns. São 86 atendidos atualmente. Caso ganhe os R$ 170 milhões, pretende investir o dinheiro na ampliação do atendimento.
— Gostaria de fazer um centro esportivo para atender as crianças no turno inverso das aulas, para dar esporte e cidadania. Quando aposto, também penso no conforto da família, mas meu objetivo principal seria dedicar o dinheiro a crianças e jovens — afirma Dutra.
Outro público que ele gostaria de ajudar são os idosos — e aponta o Asilo Padre Cacique, em Porto Alegre, como instituição que mereceria receber o acumulado da Mega Sena, pelo trabalho que desempenha.

Já Maria Elaine da Rosa, 66 anos, doaria parte do dinheiro à Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD). Uma parcela polpuda iria para parentes — filha, irmão, sobrinhos:
— Eu daria um dinheiro para cada um e diria: "Ó, te vira".
Para ela mesma, não ambiciona muita coisa. Sequer trocaria a casa no bairro Hípica, em Porto Alegre, com a qual está satisfeita.
— Mas ia viajar, conhecer o mundo, porque o máximo que fui foi a São Paulo. Queria conhecer Portugal — conta.

A aposentada Jussara Cruz, 76 anos, gostaria de ganhar o prêmio de loteria apenas para não precisar mais se preocupar com as contas do mês seguinte.
— Não quero mais ter de pensar: "Será que dá?".
Não ganhando o prêmio, gostaria que ele fosse para algum projeto de saúde. Ganhando, distribuiria o dinheiro entre a parentada.
— A família estava feita — garante.
Plínio Luís Weis, de 71 anos, sempre arrisca apostas, principalmente se o prêmio está acumulado. O plano dele é distribuir o dinheiro entre amigos, parentes e pessoas pobres no geral. Para si, pensa em uma viagem:
— Eu iria ao Exterior, para a Alemanha, a Itália e a França. Aproveitaria a vida, que a vida é uma só — anuncia.
As apostas podem ser feitas até as 19h (de Brasília) do dia do sorteio, em qualquer lotérica do país ou pela internet. A aposta mínima custa R$ 3,50.


