
Na segunda-feira, a coluna publicou nota em que representantes de estaleiros de Rio Grande apontavam o custo da praticagem como risco à manutenção das atividades na cidade. Marcelo Cajaty, presidente do Sindicato dos Práticos de Rio Grande, fez contato para explicar que, embora custo do trabalho mais recente tenha sido mesmo de R$ 1,7 milhão, embute outros serviços.
– A praticagem não inviabiliza o polo naval, ao contrário, viabilizou, porque a primeira plataforma que chegou teve dificuldade para entrar no porto – afirma.
Na época, um cabo elétrico sobre o canal retardou a atracação do casco da P-53 na área destinada à montagem e integração de módulos. Em Rio Grande, explica, a condução de embarcações para atracar ou zarpar é mais difícil.
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Em outros portos, há horários previsíveis da maré favorável à atividade. Mas o movimento da corrente da Lagoa dos Patos para o mar, que passa pelo canal onde ocorre o tráfego, é quase impossível de estimar.
Por isso, o trabalho não se limita às 10 horas ou 12 horas de deslocamento. A saída ou entrada demanda mais planejamento e, com frequência, espera das condições adequadas – e tudo está no preço.
Cajaty confirma que o custo da praticagem não é uniforme no país, mas que a diferença não passa de 30%.
– A praticagem no Brasil é uma das poucas atividades com qualidade compatível com a dos EUA. A infraestrutura é que não é – diz.
No caso específico das próximas plataformas a entrar em Rio Grande, Cajaty assegura que ainda não há preço final definido, a negociação apenas começou. Como não há formação acadêmica para práticos, os interessados, que precisam ter formação superior, estudam e prestam concurso para a Marinha.



