
Foram 12 anos de batalha para reverter um embargo que já não fazia o menor sentido. Ontem, finalmente veio a boa notícia de que os chilenos reconheceram o Rio Grande do Sul como zona livre da doença de newcastle, o que reabre as portas para frango e ovos produzidos no Estado. O documento que oficializa a decisão será enviado ao Brasil até o final do mês, segundo o Ministério da Agricultura.
A retomada tem um efeito que vai muito além do volume a ser negociado – estimativa da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) aponta que, no período da suspensão, 385 mil toneladas de carne deixaram de ser embarcadas.
– O embargo dava a entender que ainda tínhamos esse problema. O Chile hoje é uma das principais vitrines da América do Sul – afirma José Eduardo dos Santos, diretor-executivo da Asgav.
Com mais um destino no leque de opções, o Estado também amplia suas chances de reverter o cenário de recuo das vendas externas. Neste ano, a suspensão imposta pela União Europeia a frigoríficos brasileiros, a taxação chinesa sobre o produto e a negociação com a Arábia Saudita sobre a insensibilização dos animais impactou os embarques feitos a partir do RS. Até agosto, a quantidade negociada era 30% menor do que em igual período de 2017.
– Esta é uma ótima conquista para avicultura do RS em tempos de entraves nas exportações avícolas – acrescenta Nestor Freiberger, presidente da Asgav.
O registro do caso de newcastle ocorreu em 2006. Na época, outros países chegaram a impor embargo, mas logo em seguida derrubaram a restrição. De lá para cá, entidades do setor e órgãos como o Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa) vinham buscando a liberação dos chilenos.
No ano passado, a pressão se intensificou e o governo brasileiro chegou a levantar a hipótese de levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Uma missão de técnicos do Chile veio ao RS, onde visitou estruturas do serviço oficial e algumas granjas e estabelecimentos.






