
Com o retorno das aulas presenciais nas escolas de Educação Infantil em Caxias do Sul, os pais das crianças, que antes tinham os filhos dentro de casa, se sentiram mais preocupados em deixá-las novamente na escolinha por causa do contágio da covid-19.
Esse foi o caso da executiva comercial caxiense, Scheila Schenatto Weber, 41, e do marido Marco Aurélio Weber, 45. O casal é pai do Leonardo, 11, e da Laura, 4. No início de outubro, quando houve o anúncio da volta às aulas presenciais da Educação Infantil no Colégio La Salle Carmo, onde estudam os dois filhos, Scheila e Marco ficaram preocupados com as adequações que a menor precisou se submeter.
— No início, a adaptação dela foi bem difícil, porque eram muitos meses junto comigo. Ela não queria muito ir. A escola está diferente, tem vários protocolos. Então, a adaptação de retorno foi um pouco diferente, mas agora ela já está indo normal. Já o Léo está com aula online e se adaptou super bem, tanto que vão voltar as aulas agora no dia 12 de novembro e ele nem quer voltar — conta Scheila.
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O casal conversou com as crianças, principalmente com Laura, sobre o uso da máscara e do álcool gel e a importância do distanciamento antes mesmo de retornar às aulas. A família recebeu com impacto o primeiro contato com a escola na volta de Laura, até mesmo porque a pequena descreve todas as mudanças para os pais.
— Ela comenta com a gente. Até mesmo o próprio brincar, em que ela não pode utilizar os brinquedos da escola, tem que levar de casa. Não pode abraçar a profe e os colegas. Isso tudo foi bem impactante. No início, chegar em uma escola totalmente diferente causa bastante impacto na gente, nesse novo normal. Agora, tanto ela, quanto nós, já nos adaptamos — relata.

A preocupação, própria das pessoas com filhos, envolve principalmente como as crianças iam lidar com essas adaptações. A partir do momento em que verificaram que Laura teve uma boa adaptação às novas mudanças impostas pela pandemia da covid-19, Scheila e Marco se sentiram mais sossegados.
— Quando começou, nós tínhamos a preocupação de como ia ser, aquela preocupação de pais. Mas agora, como as aulas já voltaram no dia 5 de outubro e ela se adaptou, já estamos bem mais tranquilos — descreve.
Conforme explica a psicóloga clínica Carolina Marchett, comparadas aos adultos, as crianças têm a capacidade de se adaptar mais rapidamente com as novidades.
— É importante nessa retomada que cada família possa avaliar suas necessidades e opte pelo que considera mais apropriado nesse momento. Os pais devem orientar os seus filhos de maneira a tranquilizá-los. Falar sobre a escola focando em aspectos positivos, não apenas em tudo que ele não poderá fazer — esclarece.
Para Carolina, é necessário que os pais expliquem para as crianças sobre as mudanças que elas vão encontrar na escolinha, evidenciando as ações favoráveis, para que elas se sintam mais seguras e se adaptem melhor.
— Eles devem destacar os pontos positivos, da oportunidade de rever colegas e professores, e de estar nesse ambiente que é propício para a aprendizagem e socialização com seus pares — enaltece.
Além da facilidade em se adaptar, a infectologista Lessandra Michelin salienta que, na curva de aprendizado sobre a covid-19, as crianças são as menos afetadas.
— Mesmo que elas podem ser carreadoras de vírus e transmitir para a sua família, elas têm, em si, quadros muito leves — enfatiza a profissional, que também é professora da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e diretora da Sociedade Brasileira de Infectologia.
De acordo com Lessandra, o que tem se observado com a volta das aulas é que as crianças estão participando de uma forma muito responsável de todo o processo de cuidado na transmissão do novo coronavírus.
— A gente vê que, realmente, as crianças pequenas permanecem de máscaras, muito mais tempo do que os adultos. Quando se fala para elas não abraçarem os amiguinhos, elas respeitam o distanciamento. Elas brincam com seus brinquedos, que são higienizados nas escolinhas. Além disso, se pode usar a face shield, que são aqueles protetores faciais de acrílico que auxiliam na brincadeira dos pequenos, e eles acabam utilizando capacetes e máscaras de super-heróis. A gente brinca, neste sentido, para que eles se sintam seguros e estejam participando desse processo de cuidado — pontua Lessandra.
A infectologista comenta sobre os cuidados que os pais devem ter com os filhos pequenos neste período.
— Eles devem cuidar quando a criança chega em casa. Trocar de roupa, ir para o banho, sempre higienizar bem as mãos principalmente antes de comer. Às vezes, algumas crianças chegam com alguns sintomas na escola. Então, a gente pede para que os pais, ao invés de perguntarem para os filhos se eles estão tendo febre e se sentindo mal, eles observem, porque a criança modifica o comportamento, acaba se alimentando menos, ficando mais quietinha, mais chorosa. Os pais devem observar se ela está com algum sintoma, medindo a febre antes de levar para a escolinha. Assim eles também estão protegendo as outras pessoas — explana.




