
É só um jogador, e nem dos mais badalados, mas quanta falta vai fazer Renê no sistema de Eduardo Coudet. O lateral-esquerdo teve lesão muscular constatada e será baixa no Inter por três ou até quatro semanas. E, mesmo que não seja um dos craques do time, sua ausência obriga o técnico a mexer em umas quantas peças. Isso já vale a partir das 19h desta quarta-feira, contra o América-MG, no Beira-Rio, pela 31ª rodada do Brasileirão.
Foi o próprio Coudet quem falou da importância de Renê. Após a derrota para o Coritiba, o técnico disse:
— Treinamos todo o tempo com Renê, até ele sentir um desconforto na parte final, já na bola parada. Sem ele, muda muito. Ele dá saída de bola, tem entendimento tático. Muitas vezes é terceiro zagueiro, segundo volante, fecha para o meio e abre o flanco.
A explicação tática é que, com o lateral à disposição, o Inter costuma tê-lo de terceiro homem na saída de bola. Ele baixa para formar um trio com os dois zagueiros. À frente deles, Johnny, com Aránguiz e Mauricio se revezando mais à frente. Abertos, Bustos e Wanderson dão o que se acostumou a chamar de amplitude (ou seja, expandir o máximo o campo), deixando soltos Alan Patrick e Valencia. Claro que isso não é uma formação parada, é justamente no dinamismo deles que está o segredo das melhores atuações do Inter sob comando do treinador argentino.
Sem Renê, não há reposição que faça um trabalho semelhante. O reserva imediato, Dalbert (sem entrar no mérito de seus desempenhos recentes), tem outro estilo. Trata-se quase de um ponta. Grosso modo, assemelha-se a Bustos, só que pelo lado esquerdo.
Com ele, muda o estilo, e até volta ao estilo clássico de Coudet. Quem baixa para a saída de bola é Rômulo (já que Johnny está suspenso). Aránguiz, o meia a ser escolhido para o próximo jogo (Mauricio está fora, também suspenso) e Wanderson rechearão o meio, dando liberdade para os dois laterais, Dalbert e Bustos, atacarem as pontas.
— Dalbert joga por fora, é sua característica. Não temos como mudar isso — declarou o treinador.
Há outras duas opções para Coudet, caso queira alguém que não seja tão agudo — ou se Dalbert não resistir fisicamente, dado que recém está voltando a jogar depois de ter ficado mais de um ano parado, recuperando-se de lesões. Uma é colocar Igor Gomes ao lado de Mercado e abrir Nico Hernández para a lateral. O colombiano é zagueiro de origem, mas já foi muitas vezes defensor pelo lado esquerdo.
A outra é repetir João Dalla Corte. O menino de 17 anos estreou na fogueira contra o Coritiba e poderia receber nova chance, dessa vez começando no 0 a 0. Zagueiro nos primeiros anos da carreira, já foi usado como volante e também como lateral. Sua característica, portanto, é ser mais centralizado.
— Ele não cresceu. Aí foi deslocado para a lateral e para volante. Foi reserva no Sul-Americano sub-17. Neste processo, ele perdeu um pouco de confiança. É normal um garoto sentir. Vejo como um atleta que pode ser útil ao Inter. É bom tecnicamente e tem força — opina Mozart Maragno, jornalista do Portal Olheiros, especializado na cobertura da base.
O treino fechado desta terça-feira definirá a opção de Coudet. A partir dessa escolha, serão decididos também os outros substitutos para os demais ausentes do time para enfrentar o América-MG. Quanta falta pode fazer um jogador só. E que nem é tão badalado.
As diferenças entre os laterais

Renê contra o Santos
O mapa de calor de Renê deixa clara sua presença no que Coudet chamou de terceiro zagueiro ou segundo volante. É grande a participação em faixas mais centralizadas, mesmo que pendendo para a esquerda. Contra o Santos, o último jogo em casa, ele tocou na bola 102 vezes, acertou 90% de seus 83 passes, não fez qualquer cruzamento e recuperou a posse em cinco disputas. Não chutou a gol.

Dalbert contra o Coritiba
O mapa de calor de Dalbert escancara suas características. Ele quase não aparece no miolo do campo, está muito mais próximo à linha lateral e avançado, com muitas ações no ataque. Claro que a circunstância do jogo com o Coritiba, com a expulsão e a desvantagem cedo, influenciaram no comportamento. Mas ele, em 71 minutos, tocou 63 vezes na bola e tentou quatro cruzamentos (nenhum encontrou companheiros).




