O candidato à presidência do Equador assassinado na quarta-feira (9), em Quito, Fernando Villavicencio, era um político de esquerda que começou sua carreira no sindicalismo no setor de petróleo. Foi líder dos trabalhadores da Petroequador, empresa pública de hidrocarbonetos equatoriana.
Villavicencio, que também era jornalista e foi deputado, seguia uma tradição política diferente, entretanto, da linha do ex-presidente Rafael Correa, conectada ao bolivarianismo, ideologia política criada pelo venezuelano Hugo Chávez.
O candidato, que tanto como jornalista quanto como político adotava uma postura combativa em relação à corrupção e ao narcotráfico, apresentava-se como defensor dos trabalhadores e das comunidades indígenas.
Ele fora eleito como deputado da Assembleia Nacional pela coligação de legendas, o Partido Socialista Equatoriano e o Movimiento Concertación. Para o pleito do dia 20, ele disputava as eleições pela coligação Movimiento Construye.
Apesar de ser de esquerda, ele adotava uma postura crítica em relação a Correa, a quem acusou diversas vezes de corrupção - inclusive liderou investigações sobre um escândalo envolvendo venda de petróleo em seu governo para a China abaixo do valor de mercado. Em 2014, um tribunal condenou Villavicencio a 18 meses de prisão por insultar Correa, após uma denúncia de supostos crimes contra a humanidade em uma batida militar em um hospital. O jornalista não cumpriu o mandado de prisão e se refugiou em um povoado indígena na selva amazônica.




