
Fisicamente distante, os protestos de agricultores na Europa têm o potencial de produzir efeitos a serem sentidos de perto pelo agronegócio brasileiro. O primeiro, aponta o coordenador do Centro de Agro Global Insper, Marcos Jank, é o comprometimento do acordo entre União Europeia e Mercosul. O especialista avalia que o acerto entre os dois blocos não deve ser concluído diante do contexto atual — precisa ser referendado individualmente pelos países do bloco, e a França já deixou claro que não pretende fazê-lo. Outro ponto de preocupação vem da ampliação de barreiras não tarifárias por parte do bloco, que é segundo principal destino das exportações agropecuárias do Brasil.
— Talvez a coisa mais preocupante seria o aumento do protecionismo europeu. Não pelo lado das tarifas de importação ou de cotas, mas o que a gente tem visto é o aumento do protecionismo não tarifário, que são barreiras técnicas, sanitárias e, cada vez mais, ambientais. Isso dificultaria ainda mais o nosso acesso à Europa — observa Jank.
No ano passado, o Brasil exportou US$ 25 bilhões em produtos agropecuários à UE, sendo o principal fornecedor do bloco, à frente dos Estados Unidos, que somaram receita de US$ 20 bilhões.
— A legislação europeia que entra em vigor em 2025 estabelece que a UE não comprará produtos que tenham qualquer rastro de desmatamento — lembra o coordenador do Centro de Agro Global Insper.
A pauta ambiental, aliás, é um dos pontos colocados pelas manifestações que alcançaram oito países. Agricultores da Europa questionam a rigidez da legislação ambiental adotada no bloco, que estaria se convertendo em custos maiores e perda de competitividade.
— E a gota d'água para esses protestos foi o aumento do custo do diesel, também por conta da questão das emissões, por ser um combustível fóssil — completa Jank.
Confira abaixo a íntegra da entrevista de Marcos Jank ao Gaúcha Atualidade.




