A jornalista Bruna Oliveira colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.

O novo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para o ciclo 2022/2023 reforça as expectativas para uma safra de grãos robusta, em recuperação ao tombo registrado na colheita anterior no RS. O crescimento em área e em produção vem puxado pela soja, mas não só por ela: o trigo, especialmente a produção gaúcha, elevaram as apostas de colheita cheia no país.
Somente no Rio Grande do Sul, o aumento de produção esperado pela companhia é de 61,8%. Mas isso em virtude de uma quebra na safra passada, que teve grande parte das lavouras perdidas por causa da estiagem. O total de grãos a ser produzido no Estado, incluindo as culturas de inverno, deve somar volume recorde de 41 milhões de toneladas.
O trigo, que já começa a ser colhido, deve fechar o ano com aumento de 30,6% na produção do Estado, somando 4,5 milhões de toneladas. Além de safra recorde, apresenta excelente qualidade, destaca Carlos Bestétti, superintendente regional da Conab.
— Tudo isso por conta de um clima favorável em quase todo o seu ciclo produtivo, culminando com clima ideal no período de colheita. Toda a safra está praticamente salva, com pequena vulnerabilidade no Norte e Sul do Estado, mas pontual — explica Bestétti.
Na soja, a variação esperada é de 139,6%, com produção de 21,8 milhões de toneladas, ante 9,1 milhões de toneladas no último verão, que foi frustrado. A semeadura encontra-se atrasada em relação a ciclos anteriores, principalmente no Noroeste, nas Missões e na Fronteira Oeste. Um dos motivos é a falta de umidade no solo, já como efeito da La Niña, que persiste.
No país, a estimativa indica um volume de produção de 313 milhões de toneladas, aumento de 15,5% sobre o resultado obtido no último ciclo. O montante representa quase 42 milhões de toneladas a mais. A projeção farta é reflexo do aumento da área semeada, que deverá chegar a 76,8 milhões de hectares.
Dessa área total destinada aos grãos, cerca de 43,2 milhões de hectares devem ser destinados para a soja. A estimativa é que a produção fique em torno de 153,5 milhões de toneladas no país.
Para o milho, a expectativa é de que a produção total chegue 5,8 milhões de toneladas no RS e a 126,4 milhões de toneladas no país. A área cultivada do grão no Brasil como um todo teve redução de 3,1%. Entre os fatores que explicam o recuo, um deles é atribuído à alta dos custos de produção. No Estado, a variação é de 0,9% ante o ciclo passado.
Já no arroz, a companhia estima produção brasileira de 10,6 milhões de toneladas e recuperação da produtividade após estiagem no último ciclo, apesar de apontar redução da área plantada, somando 1,5 milhão de hectares. Somente no RS, a produção do cereal deve somar 7,6 milhões de toneladas.
Trigo gaúcho se destaca
O levantamento volta a destacar o desempenho recorde da safra de inverno, principalmente pela colheita do trigo. A expectativa é de que sejam colhidas 9,5 milhões de toneladas do cereal nesta safra no país, valor 23,7% maior que o ciclo anterior.
Enquanto o Paraná, até então maior produtor nacional de trigo, vem sofrendo redução de produtividade nas lavouras por causa do excesso de umidade, a marca histórica é mantida pelo desempenho gaúcho. De acordo com a Conab, o Estado vem registrando rendimentos acima de 55 sacas por hectare, além de boa qualidade cereal colhido.
Na avaliação da companhia, a produtividade do cereal no Estado vem melhorando mês a mês, principalmente com a redução do volume de chuvas a partir de outubro. Pouco mais de 10% das lavouras gaúchas de trigo foram escolhidas até o momento.
Dentre as culturas de inverno, o superintendente regional da Conab ainda destaca a safra da canola, que apresenta recorde de produtividade e produção no Estado. A cultura, aliás, vem sendo chamada de “soja de inverno” devido ao seu alto valor comercial, semelhante a soja em preço de mercado.

