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Como Passo Fundo mantém sua história viva, 167 anos depois

Em seu aniversário de emancipação, cidade mantém algumas de suas características iniciais preservadas

Eduarda Costa

Repórter

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Marielen Colpani / Arquivo pessoal
Gare da Estação Férrea, inaugurada em 1898, trouxe desenvolvimento socioeconômico à cidade e região

Aos 167 anos de emancipação político-administrativa, Passo Fundo comemora feitos de quinta cidade gaúcha que mais cresceu no RS nos últimos anos e liderar a região com o segundo maior PIB do Estado — características construídas e estabelecidas ao longo das últimas décadas. 

Em sua essência, o município nasceu como uma cidade que contribuiu inicialmente para a distribuição de mercadorias e foi se aprimorando nas áreas da saúde, comércio e na esfera social.

Para celebrar mais um aniversário da cidade, na quarta-feira (7), GZH Passo Fundo lembra a criação do município e as marcas da história que podem ser vistas até hoje. A partir desta segunda (5), serão três reportagens sobre as lendas, edificações importantes e personagens que construíram a Passo Fundo atual. 

Como surgiu o primeiro povoado

Eduarda Costa / Agencia RBS
Igreja Nossa Senhora da Conceição foi essencial para Passo Fundo ser reconhecida como uma vila independente do distrito de Cruz Alta, no período Imperial

Os primeiros registros de população na cidade datam de 1828, no entorno da Praça Almirante Tamandaré, no Centro. A região servia de caminho de tropas que transportavam produtos para todo o país. 

Naquela época, Passo Fundo fazia parte do distrito de Cruz Alta. O decreto que criou o município só veio quase 30 anos depois, em janeiro de 1857, mesmo sem território definido nem organização política-administrativa.

Naquele mesmo ano, em 7 de agosto, foi instalada a Câmara Municipal, o que abriu caminho para a definição de território e a eleição dos sete primeiros vereadores. Passo Fundo se torna, então, um grande município: tinha 24 mil quilômetros quadrados, com território que se estendia desde o Rio Uruguai até Cruz Alta e Rio Pardo.

Naquele contexto, a cidade era chefiada pelo presidente da Câmara, cargo ocupado pelo vereador mais votado. O primeiro a ocupar a cadeira foi Manoel José de Araújo, o Capitão Araújo — homenageado anos depois com o nome de rua no centro.

Até a proclamação da república, a localidade era conhecida como Nossa Senhora da Conceição Aparecida do Passo Fundo, por conta do Período Imperial, com união de Estado e Igreja. A vila passa a ter o nome oficial de Passo Fundo em 1881, como lembra o historiador Djiovan Carvalho:

— Com a proclamação da república, em 1889, fica apenas o nome “Passo Fundo”. Ele se deu em virtude da gestão geográfica e topográfica do rio, que era fundo para passagem das tropas. Esse era o antigo caminho indígena, que depois é apropriado pelos tropeiros. 

Como a cidade preserva sua história 

Ao longo de seu território, algumas edificações mantém a história viva por meio da arquitetura. No bairro Boqueirão, prédios do século 19 fazem referência ao passado e mostram uma Passo Fundo de outros tempos. Na esfera privada há dois exemplos: a Casa Barão, de 1866, e a Casa Morsch, de 1877.

Já entre os espaços públicos há o chafariz da Mãe Preta, localizado no cruzamento das ruas Uruguai e Dez de Abril. Com a primeira canalização construída na década de 1860, ele acompanhou o desenvolvimento da cidade e de seu povo.

Inicialmente, a estrutura abastecia as casas da região e, mais tarde, passou a ser um ponto de referência para negros escravizados que buscavam ali água para consumo.

— Com aumento da população e do saneamento, ficou lembrado como espaço de referência à população negra. É um local com historicidade material e imaterial, porque tem lendas envolvidas do povo afro-brasileiro — comenta a coordenadora do Arquivo Histórico Regional, Gizele Zanotto.

Eduarda Costa / Agencia RBS
Local segue preservado entre as ruas Uruguai e Dez de Abril

Já nos exemplares do século 20 há o prédio do Museu Histórico Regional, inaugurado em 1911. O conjunto de prédios fica no centro de Passo Fundo, na Avenida Brasil, entre as ruas Teixeira Soares e Quinze de Novembro. 

Ali funcionou a antiga intendência municipal e a prefeitura. A sede do governo permaneceu na área central até 1976, quando se muda para o prédio atual.

— Este é um prédio muito importante para pensar a história de Passo Fundo. Hoje não temos uma cultura “preservacionista”, de manter nossa história viva por meio da preservação de patrimônio — destaca Zanotto. 

Uma terceira edificação ajuda a desenvolver outro lado da cidade: a Gare da Estação Férrea. Inaugurada em 1898, foi a partir da ligação com São Paulo, na década de 1910, que trouxe desenvolvimento socioeconômico à cidade e região. 

— A chegada do trem não modificou a cidade imediatamente, mas foi a partir dele que foram pensadas práticas e políticas. A circulação monetária possibilitou crescimento em áreas como bancos, instalação de silos, moinhos, hotéis e cinema — pontua Carvalho. 

Sem utilização por décadas, o local foi transformado em uma estação gastronômica em 2019. Outro setor revitalizado foi o antigo moinho, também na Avenida Sete de Setembro, que se transformou em um hub de inovação — marcas de que a cidade, recentemente, tenta preservar sua história.

— A cidade é constantemente alterada, está sempre em busca do moderno. E isso fez com que, ao longo da história,  não houvesse iniciativas de preservação de arquitetura e paisagem. Ainda temos um longo caminho para atrelar o desenvolvimento com a preservação, e entender: o que nós estamos construindo hoje , que será escolhido para ter a marca do nosso tempo futuramente? — finaliza Djiovan.

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