
A instalação de 19 semáforos ao longo dos 6,5 quilômetros duplicados da RS-734, entre Rio Grande e o Balneário Cassino, levantou uma dúvida entre motoristas: será preciso parar em todos eles durante o trajeto?
A resposta é não. Embora o número de equipamentos chame a atenção, eles estarão concentrados em apenas três interseções semaforizadas e controlarão diferentes faixas e movimentos do trânsito.
Segundo o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), na pior situação projetada pelo órgão, o motorista poderá enfrentar até três paradas, acumulando cerca de dois minutos de espera ao percorrer todo o trecho.
Conforme o Daer, os semáforos serão distribuídos entre diferentes pistas, retornos, acessos e travessias de pedestres. Em uma mesma interseção, mais de um equipamento poderá funcionar simultaneamente para controlar movimentos distintos.
Onde serão as paradas?
A estimativa considera uma parada de 40 segundos em cada uma das três interseções semaforizadas previstas: em frente ao Condomínio Waldemar Duarte, no acesso à Furg e na região da Junção. Uma quarta interseção, localizada entre as ruas Paraná e Argentina, não terá semáforos, segundo as informações mais recentes do departamento.
O tempo de viagem poderá variar conforme o sentido do deslocamento, a sincronização dos sinais e o acionamento das travessias de pedestres.
O Daer informa ainda que novos equipamentos poderão ser instalados junto às paradas de ônibus, caso haja necessidade identificada em conjunto com a Polícia Rodoviária Estadual e a Secretaria Municipal de Mobilidade de Rio Grande.
A previsão é que os equipamentos entrem em funcionamento até o início de 2027.
Oito aparelhos em uma única interseção
A distribuição dos equipamentos ajuda a entender por que os 19 semáforos não representam 19 paradas.
Somente na interseção em frente ao Condomínio Waldemar Duarte serão instalados oito aparelhos, distribuídos em cinco pontos de controle.
Dois controlarão o fluxo principal da rodovia — um para cada sentido. Outros dois serão destinados às alças de retorno e um organizará o acesso da Rua Visconde do Itaboraí à RS-734.
Nas pistas principais, cada ponto de controle exige um equipamento em cada lado da via para garantir a visibilidade dos motoristas.
O projeto também prevê semáforos exclusivos para pedestres em todas as travessias.
Cada travessia contará com quatro botoeiras, permitindo o acionamento independente em cada pista. A travessia será feita em duas etapas, utilizando o canteiro central como área de espera.
Quantas paradas seriam consideradas ideais?
Para o professor Milton Luiz Paiva de Lima, da área de Transporte e Logística da Escola de Engenharia da Furg, a quantidade de aparelhos, por si só, não permite concluir que haverá mais lentidão.
Com base na literatura da área de transportes, ele afirma que, em um corredor com essa extensão, cerca de oito interrupções seria um número desejável, enquanto 10 ou 11 representariam um limite máximo considerado aceitável.
O professor ressalta, porém, que esses números servem apenas como referência técnica e não representam uma previsão para a RS-734.
— Não é possível afirmar que são "muitos" equipamentos semafóricos, ainda mais que se trata de um trecho já urbanizado, com rotatórias, retornos, acessos comerciais, ciclovia, travessias de pedestres e intenso movimento transversal — avalia.
Segundo ele, um sistema mal dimensionado pode aumentar o tempo de viagem, elevar o consumo de combustível, ampliar a emissão de poluentes e favorecer a formação de filas e colisões traseiras.
Mais importante do que a quantidade de equipamentos será a forma como eles funcionarão.
Para a professora Ana Maria Volkmer de Azambuja, também da área de Transporte e Logística da Escola de Engenharia da Furg, a implantação de uma onda verde pode reduzir significativamente as paradas.
— A sincronização dos semáforos é o principal requisito para que um corredor com muitos cruzamentos funcione de forma eficiente. Sem ela, cada semáforo opera isoladamente e o motorista tende a parar repetidas vezes, aumentando o tempo de viagem, o consumo de combustível e a emissão de poluentes — afirma.
Segundo a professora, a sincronização pode ser mantida mesmo com o uso de botoeiras para pedestres. Nesse caso, nem todos os veículos precisarão parar em todos os cruzamentos.
O Daer informou que os equipamentos funcionarão por meio de temporizadores programados e poderão ser ajustados conforme o fluxo de veículos. Os tempos de cada fase serão definidos em conjunto com a Secretaria Municipal de Mobilidade de Rio Grande.
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