
Os dois laudos que ainda estavam pendentes na investigação do acidente que matou 11 pessoas no quilômetro 491 da BR-116, em Pelotas, foram concluídos pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP).
Segundo a Polícia Civil, os documentos já foram incluídos no processo eletrônico, encerrando as últimas diligências complementares solicitadas pelo Ministério Público do Estado (MPRS).
O inquérito havia sido encaminhado pela Polícia Civil ao MPRS, porém, em junho, o órgão requisitou novas informações antes de decidir se apresentaria denúncia à Justiça.
Os últimos documentos envolviam depoimentos de vítimas e dois laudos indiretos de lesões corporais.
— Os dois laudos que faltavam já foram anexados no Eproc. De nossa parte, foi feito tudo — afirma o delegado César Nogueira, responsável pela investigação.
Em nota, o IGP confirmou que concluiu os trabalhos requisitados até o momento.
"O IGP, preliminarmente, finalizou o resultado de todas as requisições no âmbito deste caso, permanecendo à disposição da autoridade policial para eventuais novas diligências", informou o instituto.
O que o Ministério Público fará agora?
Com a conclusão dos laudos, o caso aguarda uma nova manifestação do Ministério Público. O órgão poderá oferecer denúncia, pedir o arquivamento do inquérito ou solicitar outras diligências.
Segundo o MPRS, a última medida solicitada à Polícia Civil foi juntada aos autos no domingo (3). Com o atendimento das providências requeridas até o momento, o inquérito policial agora será analisado pelo órgão dentro do prazo legal, que não foi especificado.
A informação foi repassada pelo promotor de Justiça Érico Rezende Russo. Após a análise, o Ministério Público poderá apresentar denúncia à Justiça, solicitar o arquivamento do inquérito ou requisitar novas providências para complementar a investigação.
Laudos comprovam lesões por meio de prontuários
Os documentos que estavam pendentes são chamados de laudos indiretos de lesão corporal. Eles são elaborados quando a vítima não realiza diretamente o exame de corpo de delito no IGP.
Nesses casos, os peritos analisam documentos médicos, como prontuários hospitalares, para identificar e registrar oficialmente as lesões sofridas. A Polícia Civil encaminha os registros ao instituto, que produz o parecer técnico sem examinar diretamente a vítima.
Além dos laudos, o Ministério Público havia solicitado a localização e a tomada de depoimento de vítimas que ainda não tinham sido ouvidas. Conforme a Polícia Civil, quatro pessoas foram encontradas e prestaram depoimento após o pedido.
Motorista foi indiciado e responde em liberdade
O acidente ocorreu na manhã de 2 de janeiro, no km 491 da BR-116. A colisão envolveu uma carreta carregada de areia e um ônibus de passageiros que seguia de Pelotas para São Lourenço do Sul.
Segundo a investigação, o motorista da carreta desviou ao se deparar com uma fila de veículos parados e bateu de frente com o coletivo. Com o impacto, parte da carga de areia caiu sobre o ônibus e atingiu os passageiros.
O condutor da carreta, de 25 anos, foi indiciado por homicídio culposo na direção de veículo automotor, quando não há intenção de matar. Ele permanece em liberdade.
O trecho onde ocorreu o acidente é duplicado, mas operava temporariamente em pista simples devido às obras na ponte sobre o Arroio Corrientes.
Ao todo, 11 pessoas morreram. As vítimas tinham entre 34 e 85 anos e eram moradoras de São Lourenço do Sul, Pelotas, Bagé, Candiota e Oriximiná, no Pará.




