Uma cidade com apenas um semáforo e uma única revenda de veículos possui uma frota de 14.526 automóveis, motocicletas, caminhonetes, caminhões e ônibus registrados. O cenário de São José do Norte chama a atenção não apenas pelo crescimento do número de veículos, mas também pela diferença em relação à quantidade de motoristas habilitados.
Atualmente, o município tem 7.978 moradores com Carteira Nacional de Habilitação (CNH), o equivalente a aproximadamente 1,8 veículo para cada condutor apto a dirigir.

Embora a frota ainda seja inferior à população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 26.245 habitantes, o número de veículos cresceu 47,8% na última década, conforme dados da Secretaria Municipal de Transporte e Trânsito.
Frota cresce em ritmo superior ao da população
Nos últimos dez anos, a frota de veículos de São José do Norte aumentou em ritmo superior ao crescimento populacional.
Em 2016, o município possuía 9.828 veículos registrados. Em 2021, esse número passou para 12.572. Atualmente, a frota chegou a 14.526 veículos.
Segundo o secretário municipal de Transporte e Trânsito, Jonas Costa, a expansão acompanha o desenvolvimento econômico da cidade.
— Em São José do Norte, o crescimento da frota de veículos ocorre em ritmo superior ao crescimento populacional — afirma.
Automóveis, motocicletas, caminhonetes, ônibus e caminhões representam a maior parte dos veículos registrados no município.
De acordo com o secretário, a diferença entre a quantidade de veículos e o número de motoristas habilitados está ligada, principalmente, ao perfil econômico local. Produtores rurais, empresas e transportadores costumam registrar mais de um veículo em nome do mesmo proprietário para atender às atividades agrícolas e ao transporte de cargas.
Conforme o IBGE, o rendimento médio dos trabalhadores formais em São José do Norte é de 2,5 salários mínimos mensais.
Crescimento amplia desafios para a mobilidade
O aumento da frota também eleva a necessidade de investimentos em infraestrutura viária e planejamento urbano.
O primeiro — e único — semáforo da cidade foi inaugurado apenas em agosto de 2024, no cruzamento das ruas Ramiro Barcelos e Doutor Edgardo Pereira Velho, um dos pontos de maior circulação de veículos.
Durante os períodos de safra da cebola e do arroz, o fluxo de caminhões e veículos de carga intensifica o movimento nas vias urbanas.
— As áreas centrais concentram maior fluxo de veículos e apresentam maior demanda de circulação. Os principais desafios são manter a infraestrutura viária em boas condições, garantir sinalização e fiscalização eficientes, preservar a fluidez do trânsito e ampliar e organizar os espaços de estacionamento — afirma o secretário.
Apesar do crescimento da frota, a Secretaria Municipal de Transporte e Trânsito informa que não há dados que permitam relacionar diretamente esse aumento ao número de acidentes.
— A ocorrência de sinistros está relacionada a diversos fatores, como comportamento dos condutores, desrespeito às normas de trânsito, excesso de velocidade, distrações ao volante e fiscalização. Até o momento, não há dados que permitam afirmar que o aumento da frota tenha provocado crescimento no número de acidentes — diz Jonas Costa.
Tendência também é observada na região
São José do Norte ainda não integra a lista dos municípios gaúchos onde a frota de veículos supera o número de habitantes, mas acompanha uma tendência observada em outras cidades da Zona Sul.
No Chuí, são 8.375 veículos para 6.262 habitantes. Em Morro Redondo, a frota soma 6.133 veículos, enquanto a população é de 6.046 moradores.
As duas cidades fazem parte do grupo de oito municípios do Rio Grande do Sul onde há mais veículos do que habitantes. Também integram a lista Aceguá, Ipiranga do Sul, Maximiliano de Almeida, Paraí, Quaraí e Victor Graeff.
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