
A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o atropelamento que matou o caminhoneiro Reginaldo Soares Lessa, de 62 anos, na BR-392, em Canguçu, e indiciou o motorista envolvido por homicídio com dolo eventual. Com isso, o caso deixa de ser tratado como crime de trânsito culposo e passa a tramitar no Tribunal do Júri. A identidade do suspeito não foi divulgada.
O acidente aconteceu na noite de 17 de abril, no km 123 da rodovia. Segundo a investigação, a vítima estava no acostamento verificando um pneu do caminhão quando foi atingida por um automóvel e prensada entre os veículos. O caminhoneiro morreu no local.
De acordo com o delegado Luciano Cabrera, responsável pela investigação, o aprofundamento das diligências levou à conclusão de que o suspeito assumiu o risco de provocar a morte.
— Ele não tinha habilitação, apresentava sinais de embriaguez, fugiu sem prestar socorro e já possuía antecedentes por embriaguez ao volante. Todos esses elementos levaram ao entendimento de que houve dolo eventual — afirmou o delegado.
Segundo a Polícia Civil, testemunhas relataram que o motorista apresentava sinais claros de ingestão de álcool logo após o atropelamento.
Imagens de videomonitoramento analisadas durante a investigação mostrariam o homem caminhando de forma cambaleante após o acidente.
A apuração também apontou que o suspeito nunca teve Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Além disso, conforme Cabrera, ele já havia sido investigado anteriormente por embriaguez ao volante, em ocorrência registrada entre 2016 e 2017.
Outro fator considerado decisivo pela polícia foi a fuga do local sem qualquer tentativa de socorro à vítima. Imagens obtidas pela investigação mostram o suspeito utilizando o telefone celular após o atropelamento e, posteriormente, permanecendo em um hotel às margens da rodovia antes de deixar a região.
— As imagens mostram ele fazendo uma ligação e, cerca de uma hora depois, saindo do hotel e entrando em outro veículo. A versão apresentada por ele não encontrou respaldo nos elementos técnicos produzidos pela investigação — disse Cabrera.
Inicialmente, o caso era tratado como homicídio culposo no trânsito com possibilidade de qualificadora por embriaguez. Com a conclusão do inquérito, o motorista foi indiciado por homicídio com dolo eventual — a pena pode chegar a 21 anos de reclusão.
O Ministério Público apresentou denúncia nos mesmos termos do indiciamento, e a Justiça recebeu a acusação.
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