
Com as mudanças na Carteira Nacional de Habilitação (CNH), um novo mercado começa a ganhar espaço em Pelotas: o de instrutores autônomos. Registrados no Departamento Estadual de Trânsito (Detran), esses profissionais passaram a oferecer aulas práticas de forma particular, ampliando as opções para quem busca tirar a carteira de motorista.
Para a socióloga Alice Sias, o modelo representou mais praticidade e economia. Ela conseguiu adaptar os horários das aulas à própria rotina e aponta o custo como fator decisivo.
— Consegui ajustar conforme eu podia, foi muito tranquilo. E a questão financeira pesou bastante, porque chega a ser talvez 50% a menos — relata.
Alice está entre as primeiras pessoas habilitadas na cidade após a implementação do serviço. Ela teve aulas com o instrutor Alessandro Nunes, que, depois de mais de 20 anos de atuação em Centros de Formação de Condutores (CFCs), decidiu investir no atendimento próprio.
— Cada aula no CFC custa em torno de R$ 125. Eu cobro R$ 149 por duas aulas. Comecei no mês passado e já dei 56 aulas — afirma.
O movimento ainda é recente, mas já apresenta crescimento. Pelotas conta atualmente com 14 instrutores autônomos credenciados pelo Detran. Em todo o Rio Grande do Sul, são 262 profissionais atuando nesse formato.
Segundo a instrutora Rita Duarte, a formação segue os mesmos padrões exigidos nos CFCs, inclusive na avaliação final.
— Não tem diferença, porque os examinadores são os mesmos. A gente segue um padrão. No carro, a diferença é o comando duplo de pedais, que garante segurança para o aluno, para o instrutor e para os pedestres — explica.
A possibilidade de atuar de forma independente também abre uma alternativa de renda para profissionais já vinculados a centros de formação. Para se credenciar, é preciso cumprir critérios como ter mais de 21 anos, possuir habilitação há pelo menos dois anos, não ter cometido infrações gravíssimas recentes, ter ensino médio completo, curso específico reconhecido pelo Senatran e não ter tido a CNH cassada.

As aulas nesse formato são permitidas apenas para as categorias A e B. As demais etapas do processo, como prova teórica e abertura da habilitação, continuam sendo realizadas nos CFCs.
Para Alice, a nova modalidade foi determinante para conquistar a carteira de motorista.
— Eu só fiz a carteira agora porque antes tinha outras prioridades. Pelo valor, consegui fazer. Estou muito feliz — diz.
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