
O fim da concessão da BR-116 e da BR-392 no Polo Rodoviário Sul, no final desta terça-feira (3), tem gerado reações distintas em Rio Grande. Lideranças ligadas ao setor portuário e empresarial avaliam que o fim da cobrança de pedágio pode trazer ganho econômico imediato, mas demonstram preocupação com a manutenção dos serviços prestados nas rodovias.
A partir do término do contrato com a concessionária, a administração das estradas passa a ser responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), até que haja nova licitação.
“Felizes e preocupados”
Vice-presidente de Infraestrutura da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), Antônio Carlos Bacchieri afirma que o sentimento é ambíguo.
— Nós estamos felizes e preocupados. Felizes porque termina um contrato que não ajudou a economia do Rio Grande do Sul, com um pedágio altíssimo. Preocupados porque o tipo de serviço que uma concessão oferece não é o mesmo que vamos ter, mesmo que o DNIT assuma o controle das estradas — avalia.
Segundo ele, serviços como ambulância, socorro mecânico e atendimento a acidentes podem não ter a mesma agilidade. Bacchieri também questiona a ausência de um novo contrato estruturado para entrar em vigor imediatamente após o fim da concessão.
— Já deveria estar pronto o processo para que terminasse um contrato e começasse outro, com valores mais compatíveis e manutenção dos serviços — afirma.
Porto vê risco técnico, mas admite ganho econômico
Gerente de Planejamento da Portos RS, Fernando Estima destaca que o impacto técnico pode ser negativo caso a manutenção não ocorra no mesmo padrão.
— Nós precisamos de rodovias pedagiadas e com bom serviço, desde que o valor seja competitivo. Sem pedágio, haverá um ganho econômico inicial, mas a rodovia sem a devida manutenção é um risco — afirma.
Segundo ele, o sistema portuário movimenta mais de 30 mil caminhões por mês, especialmente no Porto do Rio Grande, o que exige estrutura adequada de atendimento, sinalização e suporte em casos de acidente.
Estima defende que um novo contrato seja estruturado com base na experiência acumulada ao longo dos últimos 25 anos de concessão.
Empresários falam em “ponto de inflexão”
Coordenador da Aliança Rio Grande, Rafael Ferreira classifica o momento como um “ponto de inflexão”.
— A gente sabe o quanto o pedágio incomodou por décadas, mas também há preocupação com a capacidade do poder público de manter o nível de resposta que existia — afirma.
Ele cita riscos em situações emergenciais, como acidentes graves ou eventos climáticos extremos, e destaca que o trecho entre Rio Grande e Porto Alegre exige atenção especial pela extensão e importância logística.
Para Ferreira, o fim da cobrança tende a impactar o valor do frete, mas pode trazer efeitos colaterais caso haja perda na qualidade da infraestrutura.
— É um duplo sentimento. Existe ganho logístico, mas também riscos que precisam ser considerados — resume.
Fique informado sobre o que acontece na região sul do Estado! Siga @gzhzonasul no Instagram e no Facebook, e inscreva-se no canal do WhatsApp para receber notícias em seu celular: gzh.rs/canalgzhzs.




