
O atendimento ao acidente que deixou 11 pessoas mortas e 12 feridas no km 491 da BR-116, em 2 de janeiro, mobilizou uma operação de grande porte da Ecovias Sul, com atuação integrada de equipes da concessionária, do SAMU, do Corpo de Bombeiros, da Polícia Rodoviária Federal e da Brigada Militar. A colisão ocorreu em um trecho que opera em pista simples devido às obras de alteamento da ponte sobre o arroio Corrientes, a cerca de 40 quilômetros de Pelotas.
As equipes da concessionária haviam sido acionadas inicialmente para atender um caminhão parado sobre a faixa de rolamento, em razão do bloqueio do rastreador do veículo, situação que provocou a formação de fila no trecho. Enquanto os profissionais iniciavam o atendimento e a sinalização da via, por volta das 11h24, uma carreta que seguia no sentido sul não conseguiu reduzir a velocidade ao se aproximar do congestionamento, invadiu a pista contrária e colidiu frontalmente com um ônibus da empresa Santa Silvana, que trafegava no sentido norte.
A médica Julie Mirapalheta, responsável pelo atendimento da Ecovias Sul no local, explica que a ocorrência passou a ser tratada como prioridade máxima imediatamente após o impacto.
— Fomos acionados por volta das 11h25 para atender uma colisão envolvendo ônibus e caminhão. Ainda durante o deslocamento, entramos em contato com o SAMU, solicitamos o apoio de outras equipes de resgate e informamos previamente o pronto-socorro sobre a gravidade da ocorrência, para preparar a unidade para o recebimento das vítimas.
Quando as equipes chegaram ao local, o resgate da base de Turuçu já realizava o atendimento inicial. O cenário encontrado exigiu organização imediata, diante da quantidade de vítimas e da complexidade da ocorrência.
— O cenário era crítico, com múltiplas vítimas, muitas pessoas em estado de choque e solicitando ajuda, o que exigiu tomada rápida de decisões — relata a médica.
Diante da situação, foi aplicado o protocolo de atendimento a múltiplas vítimas, com triagem e classificação conforme a gravidade. À medida que novas equipes chegavam, os atendimentos passaram a ser direcionados de forma técnica e coordenada. As vítimas em estado mais grave estavam no interior do ônibus, atingido diretamente pela carga de areia transportada pela carreta, que caiu sobre o coletivo após a colisão.
O resgate exigiu uma atuação altamente especializada, envolvendo cerca de 20 profissionais atuando simultaneamente. Ao longo da operação, a Ecovias Sul mobilizou 16 veículos, entre ambulâncias, viaturas operacionais e de inspeção de tráfego, além de guinchos leves e pesados. O atendimento também contou com o reforço de sete ambulâncias dos municípios de Pelotas, Turuçu e São Lourenço do Sul, além de viaturas do Corpo de Bombeiros, da PRF e da Brigada Militar.
As equipes permaneceram em operação por mais de 10 horas ininterruptas, das 11h25 até 22h15, até a retirada da última vítima. Um dos momentos mais delicados envolveu três mulheres em estado crítico, que estavam parcialmente soterradas pela areia, com apenas a cabeça exposta. Em um dos casos, além do soterramento, a vítima estava com as pernas presas às ferragens do ônibus, o que tornou a remoção ainda mais complexa.
Por segurança, a retirada da areia precisou ser feita manualmente, sem o uso de ferramentas, para evitar o agravamento do quadro clínico. Esse trabalho específico levou cerca de três horas. Durante todo o resgate, o ônibus permaneceu estabilizado por dois guinchos pesados, já que ficou próximo a um talude, representando risco adicional às equipes e às vítimas que ainda estavam presas no interior do veículo.
— Enquanto parte da equipe atuava diretamente no interior do ônibus, outros profissionais davam suporte logístico, organizavam a cena e garantiam a segurança, o que foi fundamental para o sucesso da operação — afirma Julie.
O balanço oficial aponta 11 vítimas fatais, confirmadas ainda no local, além de 12 pessoas feridas, entre casos leves, moderados e graves, todas encaminhadas ao Hospital de Pronto Socorro de Pelotas. Outras cinco pessoas não precisaram de remoção. Até o sábado (3), oito dos feridos já haviam recebido alta hospitalar.

Para a médica responsável pela ocorrência, o atendimento foi marcado pela integração entre os órgãos e pelo preparo das equipes diante de um cenário extremo.
— Em ocorrências dessa magnitude, os procedimentos essenciais envolvem a segurança da cena, a identificação e priorização das vítimas e o encaminhamento adequado aos hospitais. O contato prévio com o pronto-socorro foi determinante para garantir a continuidade do cuidado.
Ela resume a condução da operação a partir de um princípio central.
— Naquele momento, como médica responsável pelo atendimento, o que me moveu foi o compromisso com a vida. Cada decisão foi tomada para manter as vítimas estáveis e vivas até que pudessem receber o tratamento definitivo, mesmo diante da pressão e da gravidade do cenário.
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