
Pelo menos 25 abatedouros clandestinos foram identificados pela Polícia Civil entre março e setembro na metade sul do Estado. Os locais foram encontrados durante operações da 9ª Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Rurais e Abigeato (Decrab) em municípios como Rio Grande, Pelotas, Santa Vitória do Palmar, Capão do Leão e Piratini.
O levantamento foi feito após a mais recente ação policial na Ilha da Torotama, em Rio Grande, onde um novo abatedouro clandestino foi localizado na última semana.
De acordo com os dados da Decrab, Rio Grande concentra parte significativa das ocorrências. Somente em agosto, durante a segunda fase da Operação Predadores, foram identificados sete locais de abate irregular no município. Antes disso, a Operação Paz na Ilha já havia localizado outros três pontos na cidade.
Pelotas também aparece entre os municípios com maior número de ocorrências. Na Operação Sangradouro, realizada em agosto, foram encontrados cinco abatedouros clandestinos. Outros dois já haviam sido identificados em Capão do Leão e Pelotas durante a Operação Lenhadores, em maio.
Em Santa Vitória do Palmar, as investigações localizaram quatro estruturas clandestinas apenas entre março e abril.
Além da descoberta dos locais de abate, as operações também resultaram na recuperação de animais furtados. Em março, durante a Operação Carga Fechada, 45 bovinos foram encontrados e devolvidos aos proprietários em municípios da região.
Para onde vai a carne

Segundo a delegada Paula Vieira Garcia, a carne proveniente de abates clandestinos normalmente é direcionada para produtos em que a origem do animal se torna mais difícil de identificar.
— A carne ilícita costuma ser utilizada principalmente em carne moída, linguiça, hambúrguer e guisado. Isso facilita a comercialização porque a procedência acaba ficando mascarada — explica.
A ausência de fiscalização sanitária é uma das principais preocupações das autoridades.
Como os animais não passam por inspeção oficial, não há garantia sobre as condições de saúde do rebanho ou sobre o cumprimento dos períodos de carência após aplicação de medicamentos e vacinas.
— Já recebemos relatos de consumidores que identificaram gosto de vacina em determinados cortes. Isso pode indicar que o animal não passou pelos controles sanitários exigidos — afirma a delegada.
Como identificar
A Polícia Civil orienta que consumidores observem alguns sinais que podem indicar irregularidades. Um dos principais é o preço muito abaixo do praticado pelo mercado.
Outro indicativo é a forma de armazenamento e comercialização.
— Muitas vezes a carne ilícita não fica exposta nos balcões. Ela permanece guardada e é oferecida apenas para alguns clientes — afirma Paula.
Segundo a delegada, também chama atenção a movimentação de veículos em horários incomuns para entrega de mercadorias.
— Geralmente essa carne chega durante a madrugada, à noite ou nos finais de semana e costuma ser transportada em veículos comuns, sem refrigeração adequada.
Nos produtos fiscalizados, a orientação é verificar a presença de etiquetas e lacres de rastreabilidade, além dos carimbos de inspeção.
Fique informado sobre o que acontece na região sul do Estado! Siga @gzhzonasul no Instagram e no Facebook, e inscreva-se no canal do WhatsApp para receber notícias em seu celular: gzh.rs/canalgzhzs.




