
Cinco meses após entrar em funcionamento em Rio Grande, o Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos já definiu as principais frentes de atuação na Zona Sul. Entre os casos que mais chegam às investigações estão o golpe do falso advogado, a emissão de falsos boletos, extorsões e ameaças pela internet, golpes de relacionamento em redes sociais e o chamado falso prêmio.
No golpe do falso advogado, os criminosos geralmente entram em contato pelo WhatsApp e utilizam dados reais sobre processos ou ações judiciais para dar aparência de legitimidade à abordagem. Depois, afirmam que é necessário fazer um pagamento para liberar valores, acelerar procedimentos ou resolver pendências.
Para evitar cair na fraude, a Polícia Civil orienta que a vítima não tome decisões pressionada pelo contato recebido e confirme a informação diretamente com o advogado ou escritório responsável pelo processo.
— A pessoa deve desligar e confirmar entrando em contato com a OAB ou com o escritório do advogado por um canal oficial. Também é importante conversar com familiares ou amigos antes de fazer qualquer pagamento — orienta Patella.
Entre os sinais de alerta estão mensagens com frases como “é urgente”, “não podemos esperar” ou “é para agilizar”. A Polícia Civil também recomenda observar o número utilizado no contato, incluindo o DDD, e desconfiar de abordagens feitas exclusivamente por aplicativos de mensagem.
Vinculada à Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), a unidade foi criada para dar maior especialização às investigações de fraudes praticadas no ambiente digital. Embora ainda esteja em fase de estruturação e conte atualmente com apenas um policial dedicado exclusivamente ao setor, o núcleo passou a concentrar os casos considerados mais complexos e também presta apoio técnico às demais delegacias da região.
Segundo o delegado Rafael Patella, responsável pela Draco e pelo núcleo, a prioridade é reunir investigações que apresentem características semelhantes para identificar a atuação de grupos especializados em golpes virtuais.
— Hoje concentramos esforços nas investigações mais complexas, principalmente quando há diversas ocorrências semelhantes que indicam a atuação de uma organização criminosa. São investigações que exigem tempo, cumprimento de medidas cautelares e análise técnica de celulares e outros equipamentos apreendidos — explica.
Investigações mais especializadas
Criado neste ano, o núcleo surgiu em resposta ao aumento dos crimes cibernéticos registrados no Estado. Além de conduzir inquéritos próprios, a unidade atua como referência técnica para as delegacias da Zona Sul, orientando investigações envolvendo aplicativos de mensagens, redes sociais e outras plataformas digitais.
Nos últimos dias, a Central de Polícia de Rio Grande também sediou um curso de capacitação sobre crimes cibernéticos. Cerca de 30 policiais civis de diferentes municípios participaram do treinamento, voltado a técnicas de investigação e preservação de provas digitais.
Olha o golpe
Demanda por análises técnicas
Conforme Patella, as fraudes praticadas pela internet tornaram-se mais sofisticadas e, em muitos casos, envolvem criminosos que atuam em diferentes cidades e até estados.
Por isso, parte das investigações depende da análise de dados extraídos de telefones celulares, do cumprimento de medidas cautelares autorizadas pela Justiça e do cruzamento de informações obtidas em diferentes ocorrências.
Mesmo sem estrutura para absorver todos os registros de crimes virtuais da região, o núcleo prioriza os casos com maior potencial de esclarecer uma sequência de golpes e identificar organizações criminosas.
Registro ajuda a identificar grupos criminosos
Além do golpe do falso advogado, o núcleo acompanha casos de extorsão praticados pela internet. Nessas situações, a orientação é não entrar em pânico, desligar a chamada e bloquear o número utilizado pelos criminosos.
A Polícia Civil reforça ainda que vítimas não devem enviar fotos de documentos ou informações pessoais pelo WhatsApp.
— Jamais forneça dados ou imagens de documentos por WhatsApp. Essas informações podem ser utilizadas pelos criminosos para aplicar outros golpes ou se passar pela vítima — alerta o delegado.
Em caso de tentativa ou consumação de fraude, a recomendação é registrar boletim de ocorrência e preservar as provas. Conversas, números de telefone, comprovantes de pagamento e capturas de tela podem auxiliar nas investigações.
— Não apague as conversas. Faça prints dos diálogos e registre a ocorrência. Mesmo quando o prejuízo é pequeno ou o golpe não se concretizou, esse registro ajuda a identificar padrões e conexões entre diferentes casos — afirma Patella.
Segundo a Polícia Civil, o avanço dos crimes digitais tem exigido investigações cada vez mais técnicas, com análise de equipamentos, cruzamento de informações e identificação de possíveis grupos que atuam em diferentes cidades ou estados.
A Polícia Civil recomenda que vítimas de golpes pela internet registrem ocorrência mesmo quando o prejuízo financeiro é pequeno ou quando a fraude não chega a ser consumada. O procedimento ajuda a mapear as modalidades criminosas mais frequentes, identificar conexões entre diferentes casos e direcionar as investigações contra grupos especializados. A comunicação pode ser feita em qualquer delegacia ou por meio da Delegacia Online.
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