
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) afirma que as mulheres investigadas por uma série de furtos e roubos em estabelecimentos comerciais de Rio Grande tinham um acordo para cometer os crimes. Duas denúncias contra integrantes do grupo já foram apresentadas e recebidas pela Justiça. Outros inquéritos ainda são analisados pelo órgão.
O caso envolve cinco mulheres presas em junho após uma investigação da Polícia Civil. Elas são suspeitas de envolvimento em crimes registrados na região central de Rio Grande e no Balneário Cassino.
As cinco são acusadas, nos dois processos, de diferentes crimes. Na primeira denúncia, quatro respondem por roubo impróprio, corrupção de menor e associação criminosa, enquanto a quinta é acusada de integrar a associação criminosa.
Na segunda ação, três delas respondem por roubo impróprio tentado. O chamado roubo impróprio ocorre quando a violência ou grave ameaça é usada depois da subtração, para garantir a posse dos produtos ou a fuga.
Segundo o promotor Fernando Gonzalez Tavares, responsável pelo caso na 2ª Promotoria de Justiça Criminal de Rio Grande, quatro inquéritos policiais chegaram ao Ministério Público. Dois já foram analisados e resultaram nas denúncias apresentadas à Justiça. Os processos estão agora na fase de apresentação das defesas pelas acusadas.
No primeiro, apresentado em 3 de agosto, cinco mulheres foram denunciadas por roubo impróprio, corrupção de menor e associação criminosa.
Segundo o Ministério Público, quatro delas teriam participado, junto com uma adolescente, da subtração de produtos alimentícios de um supermercado no Balneário Cassino. Após serem abordadas por funcionários, elas teriam usado agressões para manter a posse dos produtos e fugir do local.
A adolescente foi identificada e terá a responsabilidade apurada pela Justiça especializada.
Na segunda denúncia, apresentada em 4 de agosto, três mulheres foram denunciadas por roubo impróprio tentado. Conforme o MP, elas tentaram retirar carne e outros alimentos de um estabelecimento e reagiram com agressões quando foram abordadas por funcionários. Os produtos foram recuperados e o crime não chegou a ser consumado.
As três mulheres denunciadas nesse segundo caso também fazem parte do grupo denunciado na primeira ação.
MP aponta acordo entre as investigadas
Para o promotor, os episódios analisados até agora apresentam características que indicam que as mulheres atuavam juntas e tinham como objetivo cometer furtos e roubos em estabelecimentos comerciais.
Segundo ele, os crimes ocorreram em um período curto, tinham estabelecimentos comerciais como alvo e apresentavam formas semelhantes de atuação.
— Com relação à associação criminosa, foi possível perceber que essas mulheres, ao menos desde o início do ano, estão reunidas com o intuito de praticarem furtos e roubos a estabelecimentos comerciais em Rio Grande. O lapso temporal relativamente curto entre os fatos, o próprio perfil de vítimas visadas, todas elas pertencentes ao comércio local. O modus operandi muito similar empregado nos crimes, tudo isso indica que elas possuíam um acordo prévio para uma prática reiterada de crimes patrimoniais — justificou.
A Polícia Civil afirma que as investigações foram realizadas de forma conjunta pela 1ª e pela 3ª Delegacias de Polícia de Rio Grande. Foram analisadas imagens de câmeras de segurança e colhidos depoimentos de vítimas e testemunhas, além de outras diligências.
Segundo a delegada Ligia Furlanetto, os elementos reunidos permitiram relacionar as investigadas a diferentes crimes patrimoniais registrados no município.
Prisões ocorreram em junho
O caso ganhou repercussão em maio, depois que imagens de mulheres furtando produtos de um supermercado no Centro de Rio Grande passaram a circular nas redes sociais. Naquela semana, foram registrados furtos em pelo menos cinco estabelecimentos comerciais do Balneário Cassino.
A partir da identificação das suspeitas, a Polícia Civil passou a investigar a possível participação delas em outros crimes.
Quatro mulheres foram presas em flagrante em 17 de junho, após a prática de um novo crime patrimonial. A quinta investigada foi presa no dia seguinte. Conforme a Polícia Civil, todas permanecem presas preventivamente.
As investigadas respondem a inquéritos policiais e foram indiciadas por crimes de roubo e furto.
Outros inquéritos ainda serão analisados
Apesar das duas denúncias já apresentadas, a investigação ainda não terminou. O Ministério Público recebeu quatro inquéritos, mas apenas dois foram analisados até o momento.
Conforme a nota do MPRS, outros dois inquéritos foram distribuídos para outra Vara Criminal e aguardam definição de competência ou ainda dependem de remessa pelas autoridades policiais.
A Polícia Civil também informou que as investigações continuam para verificar a participação das mulheres em outros crimes registrados em Rio Grande.
As mulheres ainda não foram julgadas. As denúncias apresentadas pelo Ministério Público serão analisadas no decorrer dos processos, e cabe à Justiça decidir pela condenação ou absolvição das acusadas.
Fique informado sobre o que acontece na região sul do Estado! Siga @gzhzonasul no Instagram e no Facebook, e inscreva-se no canal do WhatsApp para receber notícias em seu celular: gzh.rs/canalgzhzs.



