
Para a jovem Larissa Quintana, 27 anos, o início da noite costumava ser o momento de receber uma ligação de vídeo. Do outro lado da tela, a mãe, Gilvanete Quintana da Cunha, 44 anos, chamava para uma conversa diária. Desde semana passada, o telefone não tocou mais. O contato foi interrompido na noite de 5 de julho, quando Gilvanete foi espancada após uma discussão em frente à uma loja de conveniência no bairro Lindoia, Zona Norte de Pelotas.
Nesta segunda-feira (13), sete dias após a confirmação do óbito, o silêncio da ausência deu lugar ao pedido por justiça. Carregando faixas, cartazes e apitos, dezenas de amigos e familiares se reuniram no Largo do Mercado Público e caminharam pelo Calçadão da cidade. O ato pacífico, marcado pela emoção e por palavras de ordem, buscou dar visibilidade ao caso e cobrar celeridade na responsabilização dos envolvidos.
— Minha mãe me ligava para nós tomarmos mate, na mesma semana a gente tinha marcado um almoço, ela estava sempre conosco, sempre ligando, falando com as crianças, em chamada de vídeo. Era uma pessoa maravilhosa, não tinha nada que reclamar da minha mãe e ela vai fazer muita, muita falta para nós para sempre — desabafou Larissa.
Dedicação à família
Quem convivia com Gilvanete chora a perda de uma mulher descrita como simples, humilde e inteiramente dedicada aos três filhos — Larissa, de 27 anos, Brenda, de 19, e Nicholas, de 17. O caçula, que tem autismo, era o foco dos cuidados da mãe. Segundo a irmã de Gilvanete, a nutricionista Simone Farias, a dedicação era absoluta.

— Ela vivia por esse filho. Quando ele precisou ficar hospitalizado, ela não saiu do hospital, ela vivia com ele. Era uma mãe dedicada e esforçada. Uma pessoa que sempre se importou com a vida dos outros — recorda.
Investigação ouve testemunhas
A briga generalizada que resultou na morte de Gilvanete ocorreu por volta das 20h30min do domingo, 5 de julho, logo após a transmissão de um jogo da Seleção Brasileira. A vítima sofreu lesões no crânio, no tórax e no abdômen.
A Polícia Civil de Pelotas está conduzindo as investigações. Testemunhas, o companheiro da vítima e frequentadores do estabelecimento no momento do crime começaram a ser ouvidos ao longo da semana passada para esclarecer a dinâmica dos fatos e identificar a autoria das agressões.
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