
A ex-secretária da Fazenda de Pinheiro Machado, Kauane Duarte Lopes, foi afastada do cargo de professora da rede municipal nesta segunda-feira (13), após ser alvo de uma operação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) que apura o desvio de cerca de R$ 1,5 milhão dos cofres públicos. A prefeitura também instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a conduta da servidora.
Kauane havia deixado o comando da Secretaria da Fazenda em março deste ano para assumir o cargo de professora concursada da rede municipal. Segundo a prefeitura, a mudança ocorreu antes de a administração tomar conhecimento das suspeitas que deram origem à investigação.
— Hoje está saindo o afastamento dela. Também está sendo aberto o processo administrativo disciplinar — confirmou o prefeito Ronaldo Madruga.
Segundo o prefeito, a investigação começou após uma servidora procurar a administração municipal na segunda-feira (6), apresentando documentos que indicavam possíveis irregularidades em pagamentos realizados pela prefeitura.
— Nós não tínhamos nenhuma suspeita referente a isso. A partir dos documentos encontrados, uma servidora fez a conferência e observou que as notas haviam sido manipuladas, com alteração de CNPJ para uma empresa criada pela ex-secretária — afirmou.
Conforme o prefeito, a denúncia foi encaminhada à Polícia Civil ainda na segunda-feira (6). Como parte dos recursos investigados teria origem federal, o caso também foi comunicado à Polícia Federal. No dia seguinte, a prefeitura formalizou a denúncia junto ao Ministério Público, que posteriormente encaminhou o caso ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Madruga acrescenta que a análise dos documentos revelou novos indícios de fraude e há suspeita de falsificação de assinaturas.
— Estamos levando mais elementos (ao Ministério Público) — declarou.
Entenda o caso
A operação foi deflagrada na manhã desta segunda-feira (13) pelo Ministério Público, com apoio da Polícia Federal. A investigação aponta que a ex-secretária teria criado empresas registradas em seu próprio nome, com denominações semelhantes às de fornecedores da prefeitura, principalmente da área da saúde, para direcionar pagamentos públicos às próprias contas.
Segundo o Ministério Público, o prejuízo estimado ultrapassa R$ 1,5 milhão. Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de bens, veículos e valores da investigada para garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos.
A defesa da ex-secretária informou que pretende colaborar com as investigações e afirmou que a cliente deverá prestar depoimento ao Ministério Público nos próximos dias.
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