
A investigação sobre o suposto desvio de cerca de R$ 1,5 milhão dos cofres públicos de Pinheiro Machado segue concentrada na análise de documentos bancários e fiscais apreendidos durante a operação realizada na segunda-feira (13). A ex-secretária da Fazenda Kauane Duarte Lopes ainda não tem data definida para prestar depoimento ao Ministério Público.
Segundo o coordenador do 10º Núcleo Regional do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), promotor Rogério Meirelles Caldas, a prioridade, neste momento, é aprofundar o exame das provas reunidas durante a operação.
— Estamos coletando as provas, especialmente as bancárias e fiscais. Com um panorama mais aprofundado, vamos ouvi-la — afirma.
Questionado sobre a análise de contas bancárias da investigada e a possibilidade de participação de outras pessoas no suposto esquema, o promotor preferiu não detalhar o andamento da apuração.
— Estamos avaliando tudo — resume.
Caldas também destacou que a operação teve como objetivo preservar provas e proteger o patrimônio público.
— A operação foi deflagrada para buscar preservar o patrimônio público e as provas — justifica.
Defesa aguarda definição sobre depoimento
O advogado Rafael Leite, que representa Kauane, afirma que já solicitou formalmente ao Ministério Público a realização do depoimento da ex-secretária.
Segundo ele, a defesa pretendia que a oitiva já tivesse ocorrido.
— A gente queria depor na quarta-feira passada, porém o promotor responsável estava de férias. Por isso, oficialmente solicitamos o depoimento dela na quinta-feira — comenta.
O defensor afirma que aguarda o retorno do Ministério Público para definição da data.
Na semana passada, Leite declarou que a cliente está arrependida e pretende colaborar com as investigações.
— Ela irá assumir tudo o que fez — adiantou.
Questionado sobre quais fatos seriam admitidos pela investigada, o advogado afirmou que somente irá se manifestar após o depoimento.
Suspeita envolve recursos da saúde
Kauane é investigada por suspeita de criar empresas registradas em seu próprio nome com denominações semelhantes às de fornecedores da prefeitura, principalmente de empresas responsáveis pelo fornecimento de medicamentos.
De acordo com o Ministério Público, pagamentos que deveriam ser destinados aos fornecedores contratados pelo município teriam sido direcionados para contas controladas pela então secretária. Os supostos desvios teriam ocorrido entre o fim de 2023 e o início de 2026.
A apuração começou após a própria prefeitura comunicar suspeitas de irregularidades ao Ministério Público.
Segundo o prefeito Ronaldo Madruga, uma servidora identificou indícios de alterações em notas fiscais e CNPJs durante a conferência de pagamentos.
— A partir dos documentos encontrados, uma servidora fez a conferência e observou que as notas haviam sido manipuladas, com alteração de CNPJ para uma empresa criada pela ex-secretária — disse a GZH.
A administração municipal também informou ter identificado suspeitas de falsificação de assinaturas e encaminhou novos documentos ao Ministério Público.
Kauane deixou o cargo de secretária da Fazenda em março deste ano e, posteriormente, foi afastada da função de professora da rede municipal. A prefeitura também instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a conduta da servidora.
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