
Entre a dor da perda e o alívio pelo dever cumprido da Justiça, Elisangela Cavalheiro Malaguez acompanhou cada momento do julgamento que condenou o ex-genro, Tiago Vieira Medeiros, a 48 anos e oito meses de prisão em regime fechado. O réu foi responsabilizado pelo assassinato da filha dela, Laís Malaguez Meyer, morta aos 32 anos em abril de 2025, na zona Norte de Pelotas.
Após a leitura da sentença na 1ª Vara Criminal, Elisangela definiu o desfecho como uma resposta que a família esperava desde o crime.
— Já é um acalento (...) Claro que não vai trazer ela de volta, mas dá para acreditar na Justiça — desabafou a mãe.
Elisangela relembrou os 14 anos em que Laís viveu ao lado do ex-marido, desde quando se apaixonou por ele, aos 17 anos.
— O que eu tenho para dizer para as mulheres é: eu acompanhei de perto minha filha e desde o início ele se mostrava machista. Elas não precisam chegar a esse ponto, podem sair antes. Se for para ser assim, melhor sozinha. Cuidem-se, amem-se — alerta.

"Um ato brutal e com requintes de crueldade", diz promotor
Para o promotor de Justiça Jaimes Gonçalves, a pena fixada pelo júri refletiu a gravidade do crime e serve de exemplo para coibir a violência contra a mulher. A acusação sustentou a qualificadora de feminicídio durante todo o processo, rebatendo a tese defensiva de que o caso deveria ser tratado como homicídio comum.
— A pena refletiu a gravidade concreta do ato praticado, um ato brutal e com requintes de crueldade. Qualquer mulher que sofra violência dentro do âmbito familiar ou de uma relação de afeto é protegida pelo tipo penal de feminicídio. Não podemos trazer a vida ceifada novamente, mas é um alento para a família e um exemplo para que outros não pratiquem esse delito repugnante — afirma o promotor.
A defesa de Medeiros informou que respeita a soberania do Conselho de Sentença, mas adiantou que irá recorrer da decisão.
Ele cumprirá a pena em regime fechado.
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