A Polícia Civil iniciou nesta terça-feira (12), em Pelotas, a reprodução simulada da ação da Brigada Militar que terminou com a morte do agricultor Marcos Nörnberg, na madrugada de 15 de janeiro.
O trabalho, conduzido pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP), busca reconstruir a dinâmica da ocorrência e esclarecer pontos considerados centrais para a conclusão do inquérito.
As diligências começaram por volta das 11h, com oitivas dos policiais militares envolvidos dentro da Delegacia de Homicídios de Pelotas. A reprodução no sítio onde ocorreu a morte está prevista para acontecer durante a noite e avançar pela madrugada.
Segundo o diretor do Departamento de Homicídios do Interior, delegado Tiago Carrijo, a preparação para a reconstituição vinha sendo realizada há semanas.
— Várias diligências já foram feitas pelo IGP nos últimos 30 dias para que se chegasse ao dia de hoje da reprodução — afirmou.
De acordo com o delegado, os depoimentos colhidos nesta terça servem para que os peritos consigam reproduzir os fatos da forma mais fiel possível.

— O IGP está fazendo a oitiva desses policiais militares para que consiga, da forma mais próxima possível à verdade, reproduzir os fatos hoje à noite — disse.
Momento da morte será reconstituído
Carrijo afirmou que a intenção da perícia é reconstruir todos os elementos possíveis da ocorrência, especialmente os instantes finais da ação policial.
— Tudo que puder ser reproduzido para que a gente se aproxime ao máximo possível da verdade vai ser feito — declarou.
Segundo ele, o trabalho do IGP ocorre com base em todo o material já reunido pela investigação.
— Eles estão fazendo todas as oitivas, já leram todo o inquérito. Em princípio, tudo vai ser reconstituído. Principalmente o momento exato da morte, do confronto policial — afirmou.
A operação mobiliza equipes da Polícia Civil, do IGP, policiais militares e reforços vindos de Porto Alegre. Conforme Carrijo, cerca de 30 servidores públicos participam das diligências.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) também foi acionada para auxiliar na segurança da área, já que o sítio fica próximo à BR-392.
Versão da viúva será analisada na quarta-feira
Os trabalhos seguem na quarta-feira (13), quando a Polícia Civil deve ouvir a viúva de Marcos, Raquel Nörnberg. A partir do depoimento dela, será feita uma nova reprodução com base na versão apresentada pela família.
Segundo Carrijo, a reprodução simulada integra um conjunto maior de provas analisadas ao longo da investigação.

— A reconstituição dos fatos pode, em determinado momento, produzir provas. Ela visa produzir provas — disse.
O delegado destacou ainda que, embora ninguém seja obrigado a produzir provas contra si, a Brigada Militar vem colaborando com os trabalhos.
— Desde o início da investigação, seja com a delegada Valquíria, seja com o delegado Gabriel ou comigo, a relação com a Brigada é a melhor possível — afirmou.
Ainda não há previsão para a conclusão do inquérito policial.
O caso também é investigado pela Corregedoria-Geral da Brigada Militar. O procedimento interno concluiu que os policiais não cometeram crimes, mas apontou falhas graves de planejamento e inteligência na operação.
Na semana passada, os celulares dos brigadianos envolvidos foram apreendidos a pedido do Ministério Público Militar, que busca verificar se houve combinação de versões sobre o caso.
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