
A viúva do agricultor Marcos Nörnberg, morto durante uma operação da Brigada Militar em Pelotas, afirmou que pretende pedir a federalização do caso após o Inquérito Policial Militar (IPM) não identificar crime na ação dos policiais.
Raquel Mota Nörnberg criticou o relatório da Corregedoria-Geral da BM, que apontou falhas de planejamento e de inteligência, mas considerou que não houve crime na ação dos envolvidos.
— Eu tinha muita fé que eles fossem interpretar da forma como realmente aconteceu. Eles dizerem que não houve crime de tortura para uma pessoa que foi torturada é uma tortura em dobro. Para mim, dói. Só reforça que a minha luta vai ser muito maior do que eu imaginava — afirmou.
A viúva também fez críticas à condução das investigações e à atuação das forças de segurança.
— Isso me mostra que a gente não pode confiar — disse.
Raquel afirmou que pretende acionar a Procuradoria-Geral da República (PGR) para tentar transferir o caso para a esfera federal.
— Eu vou entrar com tudo pedindo a federalização, porque, na minha opinião, tudo está comprometido desde o momento em que o fato aconteceu — declarou.
Ela também questionou procedimentos adotados no local da ocorrência.
— Eles caminhavam por dentro da casa, não teve nenhum tipo de isolamento — afirmou.
Segundo a viúva, há dúvidas sobre a dinâmica dos disparos que resultaram na morte do agricultor.
Raquel reforçou que pretende seguir buscando responsabilização pelo caso.
— Eu vou lutar até os últimos dias da minha vida para provar que esse crime foi cometido e que todos sejam punidos — afirmou.
O caso ocorreu na madrugada de 15 de janeiro, na zona rural de Pelotas, durante uma operação policial. Conforme o IPM, os policiais teriam reagido após o agricultor efetuar disparos, versão contestada pela família.
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