
O Inquérito Policial Militar (IPM) da Corregedoria-Geral da Brigada Militar concluiu que não houve crime na operação da Brigada Militar que resultou na morte do agricultor Marcos Nörnberg, em Pelotas, na madrugada do dia 15 de janeiro. O documento aponta que houve graves falhas de planejamento e de inteligência na ação por parte de cinco dos 18 policiais envolvidos na ação.
O IPM será submetido ao comandante da Brigada Militar, que decidirá se enviará ou não as conclusões à Justiça Militar.
A partir do inquérito, é possível traçar uma linha do tempo do que ocorreu, começando no dia 12 de janeiro com a invasão de criminosos a uma propriedade rural na BR-392, onde um caseiro foi mantido refém por 36 horas e três carros foram roubados.
Um dos carros foi encontrado pela polícia do Paraná na cidade de Guaíra já na noite de 14 de janeiro. Quatro suspeitos foram presos em flagrante. Um deles indicou a localização do local onde integrantes de uma facção estariam escondidos fortemente armados.
A partir dessa pista, 18 policiais do 4º Batalhão de Polícia Militar (4º BPM) e do 5º Batalhão de Polícia de Choque (5º BPChq) se dirigem até o local onde vivia a família Nörnberg.
Confira a linha do tempo, conforme o IPM:
12 de janeiro
- 6h: Uma propriedade rural na BR-392, em Pelotas, é invadida por criminosos armados. O caseiro é rendido e mantido em cárcere privado por aproximadamente 36 horas. Três veículos são roubados.
14 de janeiro
- 20h45min: O caseiro é libertado pelos criminosos.
- 21h49min: Dono da propriedade aciona Brigada Militar pelo 190.
- 22h14min: Soldado da inteligência do 4º BPM emite alerta para a polícia do Paraná através de um grupo do WhatsApp.
- 22h30min: Polícia Militar do Paraná intercepta os veículos roubados em Guaíba. Quatro suspeitos são presos em flagrante.
- 23h01min: Um dos veículos é encontrado abandonado no Bairro Getúlio Vargas, em Pelotas.
15 de janeiro
- 00h12min: Um policial da inteligência do Paraná começa a enviar áudios ao soldado do 4º BPM com informações de um dos presos, que indicou uma chácara em Pelotas como base de uma facção fortemente armada e forneceu uma geolocalização. O preso alertou que o local não condizia com a imagem que constava no Google Maps e que não havia estufas na base criminosa.
- 1h a 1h46min: Ocorre o fluxo de comunicação entre os três oficiais de serviço. Apesar das ressalvas sobre a falta de conhecimento do local e o risco noturno, um oficial autoriza e determina a averiguação imediata na chácara indicada.
- 02h06min: Viaturas do 5º BPChq chegam ao 4º BPM para apoiar a operação.
- 2h30min: Comboio policial deixa o batalhão em direção a BR-392.
- 2h47min: Durante reconhecimento prévio, policiais avistam um indivíduo com lanterna no pátio da residência dos Nornberg.
- 3h02min: Início da aproximação tática. Câmeras de segurança registram luzes de lanternas no portão de acesso.
- 3h03min: Policiais se identificam e dão ordens de rendição.
- 3h04min: Ocorrem os primeiros disparos, segundo a perícia, desferidos por Marcos Nörnberg, que acreditava tratar-se de um assalto. Policiais revidam com disparos de fuzil.
- 3h06min: Cessam os disparos. Policiais entram na casa e encontram Raquel Nörnberg em estado de choque e Marcos Nörnberg alvejado.
- 3h14min: Policial aciona o Samu.
- 3h33min: Samu chega o local e constata o óbito de Marcos.
- 4h16min: Polícia Civil chega para assumir as diligências.
- 5h03min: Equipes do Instituto-Geral de Perícias (IGP) chegam para a análise do local do crime.
Fique informado sobre o que acontece na região sul do Estado! Siga @gzhzonasul no Instagram e no Facebook, e inscreva-se no canal do WhatsApp para receber notícias em seu celular: gzh.rs/canalgzhzs.



