
Uma perseguição policial registrada em Pelotas no início da década passada inspirou o livro de ficção Operação Meia-Noite, que aborda os bastidores das investigações e a escalada da violência ligada ao crime organizado no sul do Estado.
Escrita pelo delegado da Polícia Civil Guilherme Calderipe, a obra tem como base fatos ocorridos entre 2012 e 2013, período marcado pelo aumento nos índices de homicídios na cidade, em meio à disputa entre facções criminosas.
— É uma forma de contar o dia a dia policial, principalmente da investigação, que é algo que não se explora muito no Brasil — afirma o autor.
Narrativa acompanha perseguição e disputa entre facções
O enredo acompanha a busca por um foragido considerado um dos principais criminosos da região à época. A fuga do sistema prisional desencadeia uma série de episódios que intensificam a tensão entre grupos rivais.
Ao longo da narrativa, o livro retrata o surgimento de uma divisão interna em uma facção, fator que contribuiu para o aumento da violência.
— Em meio à narrativa, vai se criando uma divisão dentro de uma facção, e naquele momento isso gerou um período bem violento, com aumento de homicídios — explica Calderipe.
Embora seja apresentado como ficção, o autor destaca que a obra é construída a partir de experiências reais, com personagens adaptados.
— Tudo ali é ficção, mas baseado em fatos que aconteceram. A gente troca nomes, cria personagens, mas a essência é real — diz.

Bastidores da investigação são destaque
Diferente de narrativas policiais tradicionais, o livro detalha o funcionamento das investigações, incluindo estratégias de inteligência, diligências e o trabalho de campo dos agentes.
O personagem principal é um delegado recém-empossado, que assume uma delegacia em meio a um cenário de crise e precisa lidar com o avanço do crime organizado. A obra também aborda os impactos psicológicos da atividade policial e os desafios institucionais no enfrentamento à criminalidade.
Episódios conhecidos da segurança pública local, como fugas de presos e operações de captura, serviram de base para a construção da narrativa. A obra combina tensão, investigação e a reconstrução de cenários vividos na cidade.
Autor planeja novos livros
Natural de Pelotas, Guilherme Calderipe atua atualmente em Porto Alegre, na Delegacia de Lavagem de Dinheiro do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública.
Com mais de uma década na Polícia Civil, ele afirma que pretende seguir na literatura.
— Pretendo continuar escrevendo. Já tenho ideia para um próximo livro — afirma.
Serviço
O livro está disponível em lojas virtuais e terá lançamento oficial no dia 16 de abril, na Livraria Vanguarda, no Shopping Pelotas, das 18h às 22h.
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