
O proprietário da Bertoldi Veículos, Vitor Bertoldi, revenda de automóveis investigada por não pagar clientes em Pelotas, foi preso preventivamente nesta terça-feira (17). A ordem judicial foi cumprida por agentes da 1ª Delegacia de Polícia.
A prisão foi decretada pela 3ª Vara Criminal após investigação apontar o empresário como responsável por um esquema que teria lesado dezenas de pessoas no município. Ele foi encaminhado ao Presídio Regional de Pelotas, onde permanece à disposição da Justiça.
De acordo com a Polícia Civil, a empresa utilizava a credibilidade construída ao longo de mais de 30 anos de atuação para atrair proprietários de veículos com propostas consideradas vantajosas. Os carros eram adquiridos com pagamento parcelado, geralmente em três vezes, mediante promessa de garantia em um imóvel.
No entanto, conforme a investigação, o bem indicado como garantia já estava alienado e não poderia ser utilizado para ressarcir os clientes. Enquanto aguardavam os pagamentos, que não se concretizavam, os veículos eram revendidos a terceiros, muitas vezes por valores abaixo do mercado.
Na 1ª Delegacia de Polícia de Pelotas, foram instaurados 11 procedimentos envolvendo 22 vítimas. Há ainda registros semelhantes em outras delegacias da região.
Relatos de clientes
Antes da prisão, ao menos 35 pessoas haviam relatado não ter recebido valores após negociações com a empresa. Parte das denúncias já incluídas em investigação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) aponta prejuízo que pode ultrapassar R$ 1 milhão.
Uma das clientes é Gabriela Alves. Ela afirma ter entregue o carro à revenda mediante promessa de pagamento de R$ 36 mil em três parcelas, conforme contrato assinado — valores que, segundo ela, não foram quitados.
— O contrato previa um bem como garantia, mas descobrimos que o imóvel está alienado. Além disso, meu carro foi repassado por um valor muito inferior ao de mercado e as parcelas nunca foram pagas — relatou.
Outro cliente, Frederico Pires, contou que foi procurado pela empresa após anunciar o veículo nas redes sociais. Ele diz ter recebido uma proposta considerada vantajosa, mas que apenas parte do valor foi paga.
— Recebi vários prazos de regularização, mas nenhum foi cumprido. Tive ofertas menores de outros compradores, mas optei pela proposta mais alta e acabei tendo prejuízo — disse.
Investigação
Segundo o delegado Félix Fernando Rafanhim, da 1ª Delegacia de Polícia de Pelotas, os casos começaram a ser registrados em diferentes unidades da Polícia Civil, o que levou à abertura de múltiplos inquéritos.
— Algumas pessoas já foram ouvidas. O investigado tem conhecimento dos procedimentos e possui advogado. Estamos apurando os fatos e o caso será encaminhado ao Judiciário — afirmou anteriormente.
O que diz o empresário
Antes da prisão, o proprietário da revenda admitia a existência de dívidas, mas negava má-fé ou intenção de aplicar golpes. Ele atribuía a situação a dificuldades financeiras enfrentadas pela empresa.
A Bertoldi Veículos encerrou as atividades no mês passado, após 33 anos no mesmo endereço, em frente à Rodoviária de Pelotas.
— Eu não sou um estelionatário, nunca fui. Eu quebrei. Contava com um crédito bancário aprovado, mas o recurso foi bloqueado devido a processos. Perdi tempo tentando salvar o negócio e a situação se agravou — declarou.
Segundo ele, o imóvel oferecido como garantia aos credores estaria avaliado em mais de R$ 10 milhões, com dívida bancária aproximada de R$ 1,1 milhão. Nos últimos dias ele anunciou a venda do imóvel.
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