
Cerca de 30 estudantes do Ensino Médio do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), campus Pelotas, foram expostas em uma lista com termos depreciativos e de cunho sexual, que circulou por meio de aplicativos de conversa. O conteúdo provocou medo, insegurança e mobilização de famílias e da instituição de ensino.
Uma das alunas relata o impacto ao tomar conhecimento do material, que classificava as estudantes com palavras ofensivas.
— Quando eu vi, me senti bem mal, um pouco assustada, porque a gente não espera que isso aconteça, ainda mais dentro da instituição — disse.
Oito adolescentes, com idades entre 15 e 16 anos, admitiram ter produzido e disseminado a lista — eles também estudam no IFSul.
— Eu fui para as aulas, mas a gente tem medo de encontrar no corredor. Tem medo do deboche, tem medo de como vão olhar para nós, como vão estar nos chamando — afirmou a estudante.
Ao saber da divulgação do material, a mãe da aluna foi até Pelotas para dar apoio à filha.
— Então quer dizer que a minha filha estava correndo o risco de um crime que é horrível. E na mesma hora eu digo, não, eu vou ter que estar junto com a minha filha, ver como é que está, como é que ela está se sentindo com relação a isso e as colegas delas também — afirmou.
Segundo a mãe, há preocupação também com a segurança das alunas no dia a dia.
— É um campus muito grande, tem deslocamento para pegar ônibus, e a gente fica com medo, mesmo com a existência de câmeras — completou.
Combate ao assédio e ao bullying no ambiente escolar
Diante do caso, o Instituto Federal Sul-rio-grandense emitiu uma nota de repúdio e suspendeu os estudantes envolvidos por tempo indeterminado. A vice-reitora do IFSul, Lia Pacholski, afirma que a medida tem caráter educativo.
— Oito alunos foram afastados da sala de aula por um período indeterminado enquanto apuramos os fatos. Estamos dentro de uma escola e precisamos de ações educativas. A suspensão também é um ato educativo — explicou.
A instituição informou que atua em duas frentes: uma voltada ao suporte às vítimas e outra para o combate ao assédio e ao bullying dentro do ambiente escolar. O IFSul também comunicou o Ministério Público para adoção das medidas legais.
A Promotoria da Infância e Juventude de Pelotas informou que vai se reunir com as famílias das alunas vítimas, atuar junto ao Instituto em ações educativas e aguardar a conclusão do inquérito policial para decidir como os adolescentes serão responsabilizados.
Polícia investiga o caso
A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) já recebeu cinco denúncias relacionadas ao caso. A delegada Lisiane Mattarredona afirma que o número de vítimas pode ser maior.
— Até o momento são cinco vítimas, mas sabemos que imagens de mais pessoas foram usadas. Essas pessoas podem procurar a delegacia para registrar a ocorrência — disse.
Segundo Mattarredona, os adolescentes podem responder por ato infracional análogo ao crime de cyberbullying.
— A pena prevista é de dois a quatro anos. Se houver indiciamento, o caso vai ao Ministério Público, que poderá aplicar medida socioeducativa — explicou.
Acompanhamento é fundamental, diz psicóloga
O episódio reacende o debate sobre o cyberbullying, também conhecido como bullying digital, caracterizado por agressões verbais ou psicológicas praticadas no ambiente virtual. Para a psicóloga Manoela Ávila, o acompanhamento familiar é fundamental.
— Não é invasão de privacidade orientar. É importante saber o que o filho acessa, que tipo de conteúdo ele consome e propaga — afirma.
Ela destaca ainda a necessidade de ações conjuntas.
— Família, escola e sociedade precisam atuar juntas para ensinar respeito e limites. Não há outro caminho que não seja a educação de base — conclui.
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