
A Polícia Civil não sabia que a Brigada Militar realizaria uma ação em busca de um suposto depósito de drogas na área rural de Pelotas, no sul do Estado, na madrugada desta quinta-feira (15). Dezoito policiais militares, em seis viaturas, chegaram a uma propriedade rural por volta das 3h. O morador, Marcos Nörnberg, pensou tratar-se de um assalto e empunhou uma arma que tinha em casa. Ele acabou baleado e morto por brigadianos.
O caso será investigado pela Delegacia de Homicídios de Pelotas. As primeiras testemunhas serão ouvidas na semana que vem.
— Não quero dar nenhuma manifestação precipitada, mas é incomum que a Polícia Militar faça uma ação dessa proporção. Quando há uma denúncia de que em determinado local tem várias pessoas armadas, é dever da Brigada Militar ir lá e verificar essa informação recebida. Mas é incomum e chama a atenção o número de viaturas e o número de policiais que foram até esse local — avalia o delegado César Nogueira, titular da 2ª Delegacia de Polícia de Pelotas e que respondente interinamente pela DP de Homicídios.
A Brigada Militar afirma ter chegado ao endereço por uma indicação de criminosos presos pela Polícia Militar do Paraná. Eles são suspeitos de envolvimento num sequestro ocorrido no interior de Pelotas e teriam relatado que havia, na propriedade, um depósito de armas e drogas.
Questionado em entrevista ao programa Gaúcha+ sobre a possibilidade de colaboração da Polícia Civil na abordagem, por exemplo, com uma verificação prévia da propriedade ou dos moradores, o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Cláudio Feoli, afirmou:
— Na prática, nós tínhamos a prisão de dois delinquentes. No dia seguinte, eventual grupo criminoso que envolve esses dois criminosos já alteraria, com a informação da prisão desses dois, o local de veículos roubados, de droga, essa é a dinâmica criminosa que nós vivenciamos hoje. Então, não havia maior tempo para se deixar de averiguar um informe desse nível.
Investigação
A investigação da Polícia Civil vai ouvir na próxima segunda-feira (19) familiares do agricultor — a esposa, a filha e o pai da vítima. Na terça-feira, serão ouvidos os 18 policiais militares que participaram da ação.
A investigação também deve ouvir oficiais responsáveis pelo 5º Batalhão de Choque e do 4º Batalhão de Polícia Militar de Pelotas para saber se e quem tinha ciência e mais informações a respeito da existência de uma possível base dos sequestradores na região.
