
A Polícia Civil concluiu nesta sexta-feira (23) a investigação sobre a morte de Letícia Foster Rodrigues, 37 anos, encontrada morta na área rural do município de Canguçu, no sul do Estado, na semana passada.
No inquérito, remetido ao Poder Judiciário, a polícia indiciou William Bizarro Porto, 36 anos, pelo crime de feminicídio contra Letícia, com quem mantinha um relacionamento amoroso. O suspeito está preso preventivamente no Presídio Regional de Bagé. A vítima deixa dois filhos, inclusive um de quatro anos, com o suspeito.
Conforme o delegado Luciano Cabreira, titular da Delegacia de Polícia de Canguçu, a investigação ouviu familiares e testemunhas, que evidenciaram que o suspeito mantinha um comportamento agressivo e possessivo com a vítima.
— Relatos indicam que ele não permitia que ela tivesse celular, que usasse redes sociais. Relataram ocasiões em que foi mantida em cárcere privado dentro de casa — contextualizou o delegado.
Os testemunhos também evidenciaram a vontade da vítima de se separar, o que, segundo os relatos, não foi possível em razão do comportamento agressivo do homem. A investigação aponta que o homem agredia Letícia e ameaçava machucar o filho mais velho dela, fruto de outro relacionamento.

Além dos relatos, a polícia analisou imagens de câmeras de segurança que flagraram o carro do suspeito indo em direção ao local em que o corpo da vítima foi encontrado, em uma região de mata, com ferimentos no pescoço.
Exames periciais do sangue encontrado no carro do suspeito também foram solicitados, assim como o laudo de necropsia.
A reportagem busca a defesa de William Bizarro Porto. O espaço está aberto para manifestações.
Relembre o caso
Letícia Foster Rodrigues desapareceu por volta das 11h do dia 12 de janeiro. O desaparecimento foi registrado junto às autoridades.
No dia seguinte, o corpo dela foi encontrado na área rural do município de Canguçu, aproximadamente cinco quilômetros do centro da cidade, em uma região de mata às margens da Estrada do Ibra.
De acordo com o delegado Luciano Cabreira, titular da Delegacia de Polícia de Canguçu, o corpo estava com o pescoço cortado, similar a uma degola.
Antes mesmo do corpo ser localizado, a possibilidade de um assassinato ganhou força após relatos de terceiros, que teriam afirmado à polícia ter ouvido do companheiro dela, William Bizarro Porto, uma confissão de que teria matado Leticia.
O homem foi localizado e preso em flagrante pela Brigada Militar no município de Bagé, por tráfico de drogas. Ao ser detido em Bagé com entorpecentes, o homem foi interrogado sobre o paradeiro de Leticia.
De acordo com a polícia, ele negou qualquer envolvimento no sumiço da companheira, contradizendo as informações que ele próprio teria passado a parentes antes de fugir da cidade. Com o avanço das investigações, a prisão dele foi convertida em preventiva.
Segundo o delegado, o homem possui antecedentes por porte ilegal de arma de fogo, ameaça, tráfico e descumprimento de medida protetiva.
Violência contra a mulher
Violência doméstica
O suspeito do feminicídio de Letícia possuía histórico de violência doméstica. No início de 2025, ela registrou ocorrência por lesão corporal e relatou que foi ferida no braço com uma faca.
A vítima solicitou medidas protetivas de urgência, que foram descumpridas mais de uma vez pelo investigado, que acabou sendo preso em março do ano passado.
— Houve registros reiterados de descumprimento das medidas protetivas, o que motivou a prisão dele naquele período. Ele permaneceu preso entre março e agosto do ano passado — afirmou o delegado Luciano Cabreira, responsável pela investigação.








