
A família de Marcos Nörnberg, produtor rural morto na quinta-feira (15) durante uma ação policial na zona rural de Pelotas, atribui ao Estado a responsabilidade pelo ocorrido. A declaração foi feita pelo enteado, Rodrigo Mota, de 29 anos, em entrevista ao programa Gaúcha Hoje Zona Sul, da Rádio Gaúcha, ao comentar o posicionamento divulgado pela Brigada Militar após o caso.
Segundo Rodrigo, a família ainda vive um momento de choque e não conseguiu, até agora, avaliar de forma aprofundada a manifestação oficial da corporação.

— A gente ficou tão imerso em cima dessa situação toda que basicamente não conseguiu acompanhar a notícia, não conseguiu de fato acompanhar rede social — afirmou.
Ele relatou estava no centro de Pelotas quando aconteceu a tragédia e que, desde o ocorrido, os esforços da família têm sido concentrados no apoio à Raquel, sua mãe e esposa de Marcos.
Rodrigo afirmou que, apesar de ainda não ter havido uma análise detalhada do posicionamento oficial, a família já identifica contradições nos relatos apresentados até o momento.
— A gente já tem consciência de que existem muitas incoerências, a gente já tem consciência de que existe mais de um depoimento, e que a cada depoimento mudam as coisas, não tem essa constância — declarou.
Ao tratar diretamente da responsabilidade pelo ocorrido, o enteado foi enfático ao afirmar que a falha, na avaliação da família, não se limita à atuação individual dos agentes envolvidos.
— O erro de ontem não foi o erro de quem puxou o gatilho, o erro de ontem foi o erro de quem comandou a ação — afirmou.
Na sequência, Rodrigo associou a responsabilidade à estrutura do Estado.
— A Brigada Militar responde pelo Estado. Então o responsável pelo que aconteceu ontem com a minha família foi o Estado, o governo — disse.
Ele também afirmou que a família pretende buscar responsabilização formal pelos fatos.
— A gente vai correr atrás da justiça, a gente já está correndo atrás da justiça com a Corregedoria e com todos os órgãos responsáveis — declarou.
Marcos Nörnberg tinha 48 anos, era produtor rural e feirante, e vivia com a família na zona rural de Pelotas. Ele morreu durante uma ação policial que, conforme a apuração inicial, teria ocorrido após uma informação equivocada que levou os agentes até a propriedade.
O corpo de Marcos foi sepultado na manhã desta sexta-feira (16) no Cemitério São Francisco de Paula, em Pelotas. A família entregou à Polícia Civil imagens das câmeras de segurança da propriedade, que conta com duas residências, dois galpões e uma estufa de produção de morangos.
A investigação segue sob responsabilidade da Polícia Civil, com acompanhamento do Instituto Geral de Perícias. O caso também está sendo analisado pela Corregedoria da Brigada Militar que se posicionou através de nota divulgada na tarde desta quinta-feira (15).
Nota da Brigada Militar
"A Brigada Militar informa que, na madrugada desta quarta-feira (15), realizou uma intervenção policial na área rural de Pelotas durante buscas relacionadas a um roubo a residência registrado na terça-feira (13). Na ocorrência, um caseiro foi mantido refém por cerca de 36 horas, e três veículos e um reboque foram roubados.
Segundo a corporação, na quarta-feira (14), na cidade de Guaíra, no Paraná, a Polícia Militar local prendeu dois suspeitos, de 20 e 21 anos, residentes em Pelotas, ambos com antecedentes por tráfico de drogas, roubo e adulteração de veículo. Eles estariam envolvidos no crime e em posse dos veículos roubados no sul do Estado.
Com base em informações repassadas pela Polícia Militar do Paraná, a Brigada Militar planejou uma operação em um endereço rural de Pelotas, onde haveria outros indivíduos envolvidos, além de armas e veículos roubados.
Durante a averiguação no local, os policiais militares teriam se deparado com um homem portando uma arma de fogo, que não teria acatado as ordens policiais e efetuado disparos contra a guarnição, o que teria provocado um confronto. O homem acabou morrendo no local.
A Brigada Militar afirma que a área foi imediatamente isolada para os trabalhos da perícia técnica. Com o indivíduo, foi apreendida uma carabina semiautomática, além de aproximadamente R$ 27 mil em dinheiro e uma quantia em dólares.
A corporação informou ainda que a Corregedoria-Geral da Brigada Militar instaurou um inquérito policial militar para apurar e esclarecer as circunstâncias do fato.''


