
Horas após o sepultamento do agricultor Marcos Nörnberg, 48 anos, morto durante uma ação da Brigada Militar no interior de Pelotas, a viúva Raquel Nörnberg falou sobre o luto, a despedida e a respeito da tragédia que ocorreu na madrugada de quinta-feira (15).
Ainda abalada, Raquel descreveu a despedida como um momento de sentimentos contraditórios, marcado pela dor da perda e pelo acolhimento recebido de familiares, amigos e pessoas da comunidade rural.
— Estou muito triste. Triste porque me despedi da pessoa que eu mais amava, do meu amigo, do meu marido, do amor da minha vida, sem poder tocar nele — afirmou.
O sepultamento ocorreu na manhã desta sexta-feira (16), no Cemitério São Francisco de Paula, com caixão fechado, em razão da gravidade dos ferimentos. Segundo Raquel, o rosto do agricultor estava irreconhecível, o que tornou a despedida ainda mais dolorosa.
— O rosto dele estava destruído. Isso é muito difícil de aceitar — disse.
Apesar da dor, a viúva destacou o apoio recebido como um dos poucos pontos de conforto neste momento.
— Eu vi tantas pessoas que a gente ama e que sempre amaram ele aqui, nos apoiando, pessoas que vieram de muito longe e de perto. Pessoas que realmente valorizavam a pessoa maravilhosa que ele era — relatou.
“Ele foi alvejado dentro da nossa casa”
Raquel, que deve depor na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) na próxima segunda-feira (19), também negou que o agricultor tenha disparado contra os policiais.
— Isso não aconteceu, em nenhum momento ele saiu de dentro da nossa casa. Ele foi alvejado dentro da nossa casa — declarou.
Segundo Raquel, a família optou por centralizar, a partir de agora, as informações por meio de um advogado, já que ainda não tem condições emocionais de acompanhar detalhadamente o andamento das investigações.
— A gente não tem ainda condições como família também. A gente não sentou, não conversou do como vai ser daqui pra frente — disse.
Família seguirá em Pelotas
Questionada sobre o futuro, Raquel afirmou que a família pretende permanecer em Pelotas, onde estão suas raízes e a história construída ao lado de Marcos.
— Aqui estão as nossas raízes. A gente voltou para Pelotas justamente para ficar. Aqui está minha mãe, meu pai, meu sogro, meus filhos. Com certeza vamos ficar aqui — afirmou.
A produção de morangos, atividade à qual Marcos se dedicava há anos, deve ser mantida, ao menos neste primeiro momento.
— Plantando morango. A gente ainda não sabe do futuro. Talvez daqui a uma semana a gente consiga dizer o que vai fazer, mas vamos ter que recalcular algumas rotas — disse.
Investigações seguem
A morte de Marcos Nörnberg é investigada em duas frentes: pela Corregedoria-Geral da Brigada Militar, que apura procedimentos e eventual responsabilidade administrativa ou criminal militar, e pela Polícia Civil, por meio da Delegacia de Homicídios de Pelotas.
Os 18 policiais militares que participaram da ação seguem afastados das atividades de policiamento. Imagens de câmeras de segurança da propriedade foram entregues à Polícia Civil e integram o inquérito.
Enquanto as investigações avançam, a família tenta lidar com a perda repentina e com o impacto de uma morte ocorrida dentro de casa, em um episódio que segue cercado de questionamentos.


