
Familiares e amigos de Letícia Foster Rodrigues, 37 anos, organizam uma caminhada silenciosa e pacífica em Canguçu para protestar contra a morte da vítima, encontrada sem vida na zona rural do município na última terça-feira (13). A manifestação está marcada para a próxima quarta-feira (21), por volta das 15h, após a missa de sétimo dia.
De acordo com a advogada Karen Telesca, que representa a mãe de Letícia, o ato partirá da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição e seguirá até a frente de uma farmácia, em um percurso de cerca de duas quadras. O local marca o ponto onde Letícia foi vista pela última vez com vida.
— A família está organizando uma caminhada silenciosa e pacífica, como forma de homenagear a Letícia e também de pedir justiça — afirmou a advogada.
A manifestação ocorre enquanto a Polícia Civil aguarda laudos periciais considerados fundamentais para o avanço da investigação. Exames com luminol identificaram a presença de sangue humano no carro da mãe do suspeito de feminicídio, William Bizarro Porto, ex-companheiro da vítima. A perícia agora busca confirmar, por meio de exame de DNA, se o material genético pertence a Letícia.
O corpo da vítima foi localizado em uma área de mata na zona rural de Canguçu, e a causa da morte foi identificada preliminarmente como um ferimento profundo no pescoço. A investigação apura se o veículo onde o sangue foi encontrado teria sido usado para o transporte da vítima.
Letícia já havia registrado ocorrência contra o ex-companheiro em 2025 por lesão corporal, após relatar um ataque com faca. Apesar de contar com medidas protetivas de urgência, o suspeito teria descumprido as restrições. Ele chegou a ser preso em março do ano passado, mas foi colocado em liberdade em agosto.
William Porto foi detido inicialmente por tráfico de drogas em Bagé, no mesmo dia em que Letícia foi dada como desaparecida. Após a localização do corpo, a Polícia Civil solicitou a prisão preventiva pelo crime de feminicídio, o que foi deferido pela Justiça.
Além da investigação criminal, a família também acompanha a situação do filho de Letícia, que completa cinco anos neste mês. Segundo a advogada, o menino foi levado pela avó paterna, conforme registro de ocorrência policial, e há uma ordem judicial determinando que a guarda seja transferida à avó materna.
— O prazo para o cumprimento da decisão termina ainda hoje — informou Karen Telesca.
O processo tramita em segredo de justiça na 1ª Vara Judicial de Canguçu, o que limita a divulgação de detalhes.

