
A Polícia Civil pretende ouvir ainda nesta semana o caseiro de uma propriedade assaltada em Pelotas, no sul do Estado, na semana passada. Foi durante as buscas por suspeitos desse roubo que policiais militares realizaram uma ação na madrugada da última quinta-feira (15) em outro sítio. No local, foi morto a tiros o agricultor Marcos Nörnberg, 48 anos.
Segundo a Brigada Militar, os policiais foram até a propriedade de Nörnberg acreditando que ali havia um depósito de drogas e veículos roubados, mantido por criminosos envolvidos nesse assalto anterior, iniciado ainda na terça (13), no qual o caseiro foi feito refém por 36 horas. No entanto, tratava-se do sítio do produtor de morangos e não houve flagrante de crime no local.
A informação equivocada sobre a localização da propriedade, segundo a Brigada Militar, foi repassada pelo Batalhão de Polícia de Fronteira, da Polícia Militar do Paraná. Dois veículos roubados em Pelotas na propriedade onde o caseiro foi rendido foram apreendidos em Guaíra, no Paraná, na fronteira com o Paraguai. Dois moradores da cidade do sul gaúcho foram presos com os veículos. Eles teriam dado à polícia a pista falsa sobre o depósito, que foi repassada à BM.
Procurada por Zero Hora, nesta segunda-feira (19), a PM do Paraná se limitou a enviar uma nota sobre o caso, na qual afirma que “as informações compartilhadas são provenientes do serviço de inteligência da cidade de Guaíra, onde ocorreu a abordagem de suspeitos oriundos do Rio Grande do Sul, competindo a cada instituição o trato da informação e a operacionalização das ações de Polícia.” A PM do Paraná informou que não emitirá nenhuma outra manifestação sobre as informações repassadas à BM.
Familiares
Ainda nesta semana, a equipe da Delegacia de Homicídios de Pelotas pretende ouvir os familiares do agricultor, entre eles a viúva, Raquel Nörnberg. Mais cedo, o advogado da família havia informado que ela seria ouvida nesta tarde. Mas, segundo o defensor, a data precisou ser alterada. A Polícia Civil não confirmou ainda quando ocorrerá o depoimento de Raquel.
A oitiva da viúva é considerada importante já que ela presenciou a ação dos PMs na propriedade. A mulher relatou, logo após a ação, que o casal foi surpreendido pela presença de homens armados no entorno da casa no meio da madrugada e pensou se tratar de um assalto. As sirenes das viaturas usadas não foram acionadas, segundo ela.
— De repente, tinha vários homens na janela mandando abrir a porta. A gente achou que era bandido — relata.
Diante da situação, o produtor pegou uma arma que tinha em casa. A esposa afirma que tudo aconteceu em questão de segundos.
— Meu marido pegou a arma. Aquilo foi muito rápido. Eu me deitei no chão. Meu marido ainda falou “eles me atingiram” e caiu, assim, deitado — descreve.
Segundo a polícia, somente após os depoimentos da família é que devem ser ouvidos os policiais militares envolvidos na ação. Dezoito PMs, segundo a Brigada Militar, estão afastados temporariamente. Eles pertencem ao 4º Batalhão de Polícia Militar e ao 5º Batalhão de Choque.
Em evento da área da saúde, nesta segunda, o governador Eduardo Leite comentou a situação dos policiais.
— A Justiça requer que se faça uma análise correta da circunstância, das decisões, dos atos de cada um que se envolveu com aquele episódio para que se possa, a partir disso, tomar providências em relação às funções, a eventuais afastamentos, punições — disse Leite.
Além da investigação da Polícia Civil, há um inquérito policial militar, aberto pela Corregedoria-Geral da BM, que está em andamento.





