
Esposa do produtor rural Marcos Nörnberg, de 48 anos, morto a tiros na madrugada desta quinta-feira (15), durante uma ação da Brigada Militar (BM), Raquel Nörnberg afirma que só percebeu se tratar de uma operação policial após o marido já ter sido atingido.
Segundo Raquel, o casal foi acordado pelo barulho dos cachorros e por movimentação ao redor da casa.
— De repente, tinha vários homens na janela mandando abrir a porta. A gente achou que era bandido — relata.
Diante da situação, o produtor pegou uma arma que tinha em casa. A esposa afirma que tudo aconteceu em questão de segundos.
— Meu marido pegou a arma. Aquilo foi muito rápido — diz.
Raquel conta que, logo depois, a porta foi arrombada e os disparos começaram.
— Derrubaram a porta e começaram a atirar. Eu me deitei no chão. Meu marido ainda falou “eles me atingiram” e caiu, assim, deitado — descreve.
Somente após os tiros, segundo ela, veio a constatação de que se tratava de policiais.
— Foi uma surpresa quando eu vi que era uma ação policial, porque não era o que parecia — afirma.
Conforme a delegada Anita Caruccio, procurada por GZH, equipes da Brigada Militar atuavam na região em busca de uma quadrilha suspeita de envolvimento em sequestros e teriam cercado a residência localizada junto à Estrada da Cascata, cerca de 12 quilômetros da zona urbana de Pelotas, por volta das 3h.
Raquel relata ainda que, após o marido ser baleado, foi submetida a um interrogatório no local.
— Eles me colocaram de joelhos. Debocharam de mim, me humilharam. Ficavam perguntando meu nome, dizendo que aquele não era o meu nome, e o nome do meu marido, dizendo também que não era o nome dele — conta.

Abalada, ela diz ainda não conseguir assimilar o ocorrido e expressa revolta com a atuação policial.
— As pessoas que eram para defender a gente, que eram para estar protegendo a gente, foram as pessoas que mataram o meu marido.
A Brigada Militar divulgou nota sobre o caso na tarde desta quinta-feira. Confira a íntegra:
Nota à imprensa – Caso Pelotas
A respeito da intervenção policial ocorrida na cidade de Pelotas, a Brigada Militar esclarece que, na madrugada desta quarta-feira (15/01), ao realizar buscas na área rural de Pelotas, após uma ocorrência de roubo a residência registrada na terça-feira (13/01), onde um caseiro foi feito refém por 36 horas, tendo três veículos e um reboque roubados, advém da seguinte dinâmica:
Na quarta-feira (14/01),na cidade de Guaíra no estado do Paraná, a polícia militar local, prendeu dois suspeitos do roubo, residentes em Pelotas, com idades de 20 e 21 anos, ambos com antecedentes por tráfico de drogas, roubo e adulteração de veículo, os quais estariam envolvidos no grave crime e na posse dos veículos roubados em Pelotas.
Em posse de informações recebidas da Polícia Militar do Paraná, a Brigada Militar planejou uma operação no local onde haveriam outros indivíduos envolvidos, com armas e veículos roubados. Durante a averiguação ao endereço os policiais militares se depararam com um homem portando uma arma de fogo, o qual não acolheu as ordens policiais, efetuando disparos contra a guarnição, estabelecendo confronto em que resultou na vitimada fatalmente.
O local foi imediatamente isolado e preservado para os trabalhos da perícia técnica. Com o indivíduo, foi apreendida uma arma de fogo, do tipo carabina semiautomática, além de aproximadamente R$ 27 mil em dinheiro e uma pequena quantia em dólar.
A Brigada Militar informa que a Corregedoria-Geral da Corporação instaurou inquérito policial militar para apurar e esclarecer as circunstâncias do fato.

