
Ocorre nesta sexta-feira (30), em Jaguarão, o enterro de Brasília Costa, de 65 anos, que teve o corpo esquartejado pelo então namorado, Ricardo Jardim, em agosto de 2025. O caso ganhou repercussão nacional após o tronco da vítima ser encontrado dentro de uma mala deixada na Estação Rodoviária de Porto Alegre. O suspeito está preso desde 4 de setembro, indiciado por oito crimes, entre eles feminicídio, ocultação e vilipêndio de cadáver.
O velório aconteceu no Cemitério das Irmandades de Jaguarão. O sepultamento, inicialmente agendado para ocorrer às 10h, foi antecipado para às 9h15min.

O velório, de acordo com o irmão da vítima, Hamilton Costa, foi realizado com o caixão fechado.
Ao longo de semanas, desde agosto do ano passado, partes do corpo foram localizadas em diferentes pontos da Capital gaúcha. A investigação da Polícia Civil classificou o crime como feminicídio seguido de ocultação de cadáver e esquartejamento.
Imagens de câmeras de segurança e exames periciais ligaram o suspeito ao depósito da mala no terminal rodoviário.
Familiares aguardam a cerimônia há meses. O sepultamento em Jaguarão simboliza o retorno da vítima à terra natal de parte de seus entes queridos.
— O corpo já foi liberado há um tempo, mas demos mais um tempo, porque queríamos ver se o crânio era encontrado. Caso contrário, já teríamos feito o enterro — comenta Hamilton.
Cronologia dos fatos
13 de agosto de 2025
- Primeiros restos encontrados
Os primeiros vestígios do corpo de Brasília Costa, braços e pernas, foram localizados na Rua Fagundes Varela, no bairro Santo Antônio, zona leste de Porto Alegre. As extremidades estavam envoltas em sacos plásticos e sem os dedos, o que impossibilitou a identificação imediata por impressões digitais.
Na época, a perícia afirmou que o material plástico e a forma como os membros foram descartados indicavam tentativa de retardar a decomposição e dificultar a identificação.
20 de agosto de 2025
- Tronco deixado em mala na rodoviária

O tronco da vítima foi deixado dentro de uma mala no guarda-volumes da Estação Rodoviária de Porto Alegre, por volta das 20h.
O suspeito, mascarado e usando luvas, boné vermelho, jaqueta azul e camisa preta com estampa branca, utilizou documentos falsos para registrar a bagagem, mas indicou um destinatário real.

A entrega foi captada por câmeras de vídeo monitoramento do local, que auxiliaram na identificação de Ricardo Jardim como suspeito do crime.
1º de setembro de 2025
- Descoberta da mala
Doze dias após ser deixada no terminal, a mala contendo o tronco da vítima foi descoberta por funcionários, que sentiram mau cheiro e decidiram abrir a bagagem.
A descoberta confirmou o esquartejamento e ocultação deliberada do corpo. No dia 4 de setembro, o Instituto-Geral de Perícias (IGP) confirmou que o tronco encontrado na mala possuía o mesmo material genético dos restos mortais encontrados na Zona Leste.
3 de setembro de 2025
- O Instituto-Geral de Perícias (IGP) confirmou que o tronco dentro da mala possuía o mesmo material genético dos restos mortais localizados na Zona Leste.
4 de setembro de 2025
- Prisão de Ricardo Jardim

O publicitário Ricardo Jardim, 66 anos, foi preso pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em uma pousada no bairro São João, Zona Norte de Porto Alegre.
Segundo a polícia, ele agiu sozinho em todas as etapas do crime, desde o homicídio até a dispersão dos restos mortais. O crânio da vítima nunca foi localizado.
Em vídeos gravados pela polícia, aos quais Zero Hora teve acesso, o suspeito alegou que Brasília teria sofrido mal súbito e que terceiros teriam esquartejado o corpo, mas as evidências apontam que ele agiu sozinho. O inquérito concluiu que Jardim planejou e executou todo o crime de forma individual.
- 6 de setembro: um pedaço de perna foi encontrado na praia de Ipanema.
- 7 de setembro: pescadores localizaram outro segmento de perna e um pé, enrolados em sacos plásticos com fitas semelhantes às da mala da rodoviária.
Em 3 de novembro, o Ministério Público denunciou Ricardo Jardim. O acusado poderá responder pelos crimes de:
- feminicídio envolvendo violência doméstica, com pena majorada pela idade e recurso que dificultou a defesa da vítima;
- vilipêndio de cadáver;
- ocultação de cadáver;
- falsa identidade;
- falsificação de documentos;
- uso de documentos falsos;
- invasão de dispositivo informático;
- furto.
Em 2018, Ricardo Jardim havia sido condenado a 28 anos de prisão por matar e concretar o corpo da própria mãe, em crime que ocorreu no ano de 2015. Contudo, teve a pena progredida para o regime semiaberto em janeiro de 2024.





